segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mandala e o Prefeito Gilmar Rinaldi


O Prefeito Gilmar Rinaldi participou da atividade e recebeu os convidados para a construção da Aldeia da Paz

Natália - Dragão Auto-existente Vermelho - vestida a rigor


Minha noiva Natália, da família terrestre - Defino com o fim de nutrir
Medindo o ser
Selo a entrada do nascimento
Com o tom auto-existente da forma
Eu sou guiado pelo poder da navegação

'Tomo minhas decisões, baseando-me nos princípios da verdade; rompo estruturas e vivo ordenadamente.'

Kim 121 - Dragão Auto-existente Vermelho.

Mandala - uma grande pessôa


Mandala no centro da grande roda para orientar o início da construção. Muito gentil, me pediu para falar um pouco sobre nossas motivações pela Aldeia da Paz Permanente. Nosso sonho. Nossa realidade.

Construção da Aldeia da Paz de Esteio


Construção da Aldeia da Paz em Esteio. Memórias do amigo Oscar e ao fundo o arco-íris que surgiu no momento em que concluímos a obra.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Novas tecnologias e a nova economia

Esteio protagonizou um debate sobre novas tecnologias e uma nova economia na perspectiva de superação das falências sociais, políticas e econômicas da atualidade. Frente ao painel, realizado no dia 27, no salão Nobre da Prefeitura de Esteio, o programador Luiz Eduardo Guaraldo, representando a Associação de Software Livre e Lúcio Uberdan, membro da executiva do Fórum Gaúcho de Economia Solidária, apresentaram suas experiências e conhecimentos sobre um novo olhar acerca da economia, do desenvolvimento e do uso das tecnologias. No senso comum é possível perceber que existem dificuldades de compreender as convergências ideológicas sobre o movimento do software livre e a economia solidária. A apresentação de conhecimentos, por parte dos palestrantes, ocorreu com uma maturidade singular, decorrente de muita prática de trabalho em ambas as áreas.

Repensar um sistema político, social, econômico, cultural, tecnológico, geralmente se dá por caminhos essencialmente eruditos, reservados a intelectuais. Lúcio e Luiz avançaram em suas explanações apresentando os resultados compreendidos em suas pesquisas de campo feitas e aplicadas diretamente em nosso tecido social. A partir da referência brasileira de Economia Solidária e Software Livre, foram descritas as mais diversas práticas internacionais com foco na América Latina, Europa e Estados Unidos. No mesmo dia, pela manhã, no Acampamento Intercontinental da Juventude, em Lomba Grande, o Ministro da Justiça, Tarso Genro, tecia algumas avaliações sobre os movimentos sociais da atualidade, mais especificamente aqueles representados no Fórum Social Mundial. Tarso afirmou que um dos maiores desafios desta geração consiste na aplicação práticas das utopias. Em uma impressionante sintonia de idéias, Lúcio e Luiz, em Esteio, aparentemente na contramão de todas as tendências descreveram modos concretos de desenvolvimento econômico e tecnológico sob os preceitos do crescimento humano, em que o conhecimento é tratado como um patrimônio da humanidade. Ou seja, a aplicação prática das utopias que orientam uma sociedade mais justa, referenciadas no desenvolvimento humano e social, com respeito ao meio ambiente.

Esse é o clima dos 10 Anos do Fórum Social Mundial na Região Metropolitana de Porto Alegre. O local onde paramos para pensar e temos a chance de perceber que as práticas mais bem sucedidas são alicerçadas em utopias fortes sustentadas por pessoas que acreditam e fazem de seu cotidiano oportunidades para um mundo melhor. A autonomia tecnológica e a concentração de renda são problemas concretos no Brasil. Diante do desemprego e da baixa renda, da falência de empreendimentos surgiram as primeiras experiências associativas e de economia solidária. A reciclagem do lixo para a preservação do meio ambiente, que converte a pobreza, a poluição em renda e autonomia financeira é organizada pela lógica associativista. Tal lógica também rege instituições financeiras importantes no mercado.

Mesmo entre as experiências bem sucedidas que foram construídas sobre os alicerces da solidariedade e da auto-gestão, encontramos disparidades e desigualdades. Porém, cabe lembrar que tais disparidades surgem quando o empreendimento migra de um processo aberto de gestão para os modelos mais tradicionais da economia. E como uma contaminação do atual sistema financeiro que, muitas vezes, está formalizada nas condições impostas nos financiamentos. E desta malha burocrática que a lógica dominante prevalece. A lógica da Economia Solidária está longe de se tornar hegemônica no Brasil, porém as experiências bem sucedidas e os fóruns de debate podem levar, a partir de uma estratégia de Estado, a consolidação de uma outra economia. O mesmo se aplica ao desenvolvimento da nossa tecnologia. A massificação e o monopólio tecnológico nos afastam completamente de qualquer possibilidade de progresso real. Nesta lógica nos posicionamos somente como consumidores. O código fonte aberto dos softwares permite liberdade de criação, reconhecimento por mérito dos desenvolvedores, aperfeiçoamento das tecnologias de forma constante e permanente. O acesso a essa cultura também merece uma estratégia de Estado, tal qual ocorre em cidades importantes da Europa em que são governadas completamente por softwares livres, sendo que muitos deles são desenvolvidos em Porto Alegre. Para quem pensa na autonomia tecnológica como uma estratégia de crescimento de uma nação, deveria incentivar as escolas a adotarem as plataformas livres.

Como podemos avançar nesse quesito se nossas crianças ingressam no mundo da informática sob o paradigma dos softwares proprietários? Como podemos avançar no debate sobre uma nova economia se os padrões da economia tradicional são amplamente subsidiados pelo poder Estatal? Como podemos avançar na agroindústria familiar se o agronegócio ainda é a prioridade das políticas de Estado? Diante de tantos questionamentos é possível enxergar a importância do Poder Estatal para a migração do discurso à prática. A saída, sem sobra de dúvida, passa pela política, que controla o poder Estatal, e pelo financiamento de segmentos estratégicos de desenvolvimento.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

10 Anos do Fórum Social Mundial e o risco do solilóquio





A Região Metropolitana de Porto Alegre passa a figurar como o local do planeta em que diversas mentes estão dispostas a pensarem alternativas para uma outra ordem mundial. Pode-se conceituar a realização do Forum Social Mundial por outras palavras, mas a grosso modo, a construção de um outro mundo possível é que orienta os pensadores das mais variadas etnias, culturas, idades, classes sociais, religiões, cidadanias e nacionalidades a despenderem tamanha energia para a realização do evento. Os moradores da Região Metropolitana de Porto Alegre terão a oportunidade de interagir com tal diversidade no quintal de suas casas.



Estive acompanhando a construção do FSM 10 anos e do Acampamento Internciontinental da Juventude e acredito que a energia militante está mudando seu centro estratégico de ação. Quando o FSM nasceu, permitiu a vazão de uma reivindicação reprimida históricamente. O FSM unificou um grito de protesto e um contraponto ao Fórum de Davos. Neste tempo o foco do militante era o protesto. Passados 10 anos, tenho a impressão de que a realização do FSM da Região Metropolitana de Porto Alegre está, de fato, focada na elaboração de alternativas para um outro mundo possível. Pode-se perceber tal comportamento na preocupação de aprofundar os debates com as experiências mais bem sucedidas, compartilhar conhecimentos, fortalecimento das referências políticas conseqüentes, pacíficas e capazes de mudar o mundo.



A realização do FSM na Região Metropolitana de Porto Alegre certamente impulsionará o desenvolvimento humano, seja pela simples quebra da rotina com a instalação de um portal transnacional no quintal de nossas casas, ou pela ação dos militantes que empenham toda sua energia vital para a transformação do mundo. Somente alguns terão consciência das benesses do evento, certamente aqueles que percebem o retorno imediato, seja pelas relações econômicas, culturais, de laser, além do público que está participando diretamente das atividades. Porém, se mais pessoas compreendessem as oportunidades trazidas pela realização de um evento desta magnitude, os ganhos se ampliariam e a velocidade de realização seria maior. Não há o que justifique o isolamento em uma situação assim. Os gestores públicos agiram corretamente ao apoiar a realização do FSM na Região, com visão estratégica de desenvolvimento para suas cidades, para a região, para o país e para o mundo.



A realização do encontro em si já é uma afronta ao cacoete da atomização da sociedade contemporânea. As dificuldades se ampliam com a geração zapping, que se orienta sob o signo da decepção1 e o vicio da instantaneidade acaba lhe entupindo os ouvidos. Suas convicções sobre o que é satisfação e o que não interessa são tão claras que a luz de sua consciência ofusca toda e qualquer possibilidade de leitura para além de seu mundinho. Olhar para fora exige tolerância, ouvir outras experiências exige humildade, saber usar o espaço de troca de conhecimentos exige sabedoria. Pois mesmo os mais arrogantes de seus conhecimentos, sendo espertos, identificam a partir das experiências que não lhe servem o valor de suas idéias e convicções. Tais argumentos são suficientes para refletir sobre a realização dos 10 anos do FSM Grande Porto Alegre, buscar uma interação com o que está acontecendo no quintal de nossas casas e participar. Caso contrário, você poderá achar que o FSM não passa de um solilóquio, e quando perceber o equívoco o trem já passou e o solilóquio será seu.



1Lipovetsky GILES - “A sociedade da decepção” (Ed. Manole, 104 págs.)