“...a personalidade individual (humanitas), manifesta-se pelo modo como o indivíduo se compromete no mundo e com o mundo. Sempre que julgamos as coisas do mundo comum, é algo mais do que as próprias coisas que está implicado nesses juízos; a pessoa que julga revela também uma parte de si mesma, revela a pessoa que é e essa revelação involuntária ganha validade na medida em que se libertou das idiossincrasias puramente individuais.” (Senso Comum e Modernidade em Hannah Arendt).
Os veículos de comunicação possuem uma responsabilidade estratosférica sobre os comportamentos humanos em uma sociedade globalizada. Sua importância pode ser mensurada pela afirmação de que só é possível uma sociedade globalizada a partir da comunicação global. Se dividirmos a percepção que temos do mundo em dois grupos esses seriam compostos pela experiência que vivenciamos e aquela que temos notícia. O mundo midiático se ocupa, basicamente, das informações que são obtidas sem a vivência sobre os fatos. As informações chegam até o sujeito através de veículos de comunicação. A forma e a abordagem sobre cada fato fundamentam as premissas da compreensão que temos da realidade mundial. A exceção dessa regra se limita a viajantes que registram suas experiências a partir da imersão ao meio, vivendo a experiência pessoalmente.
Lógico que antes de sermos seres de uma sociedade que se informa a partir de veículos midiáticos, somos integrantes de núcleos familiares, de um bairro, de uma cidade, de um estado, de um pais e de um Planeta que tem uma vida útil - pelo menos para a humanidade. Ocorre que as informações que edificam os conceitos que temos sobre os grupos sociais em que vivemos são majoritariamente obtidos por meios midiáticos. Com isso, produzimos um sistema que se alimenta de si mesmo, pelo menos na teoria. O resultado prático é que a sociedade de consumo produz infelicidades em todas as fatias da pirâmide social.
A humanidade já está se dando conta disso. Os filósofos de nossa época se ocupam com esses temas atribuindo a pauta um peso existencial à humanidade. A exemplo disso, o francês Gilles Lipovetsky escreveu a obra “A sociedade da decepção” (Ed. Manole, 104 págs. R$ 49), que foi lançada dia 21 de maio, em São Paulo. Gilles acredita que a decepção é uma experiência humana universal desde sempre. Porém, nas sociedades antigas ela era mais restrita. O desejo limitado, a cultura da resignação e um maior apego às práticas religiosas funcionavam como uma anestesia sobre o sistema psíquico dos indivíduos, limitando as dores da decepção. Com isso, o filósofo francês contrasta com os resultados da sociedade moderna que fez explodir o sentimento de decepção. O desequilíbrio das pessoas e a desigualdade social são indústrias produtoras de frustrações. Gilles chama isso de era hipermoderna, que tem como principal característica a intensidade das decepções, que são ofertadas em todos os lugares e níveis sociais. Na opinião de Lipovetsky, a política está entre os temas que geram mais decepção em todos os países do mundo.
A globalização extirpou a esperança revolucionária dos conceitos de Gilles, um militante pós-trotskista. Além da política, a escola lidera a lista das grandes decepções desde os tempos em que parou de ser a garantia de ascensão social. O filósofo não despreza a realidade dos jovens qualificados que trabalham em coisas que não correspondem a sua qualificação. De um modo geral, Gilles acredita que o walfare-state (sociedade de bem-estar), é uma sociedade de frustrações. O suicídio, a depressão, a ansiedade no trabalho e com os filhos são seus principais argumentos. O que torna o pensamento de Gilles mais interessante é a afirmação de que a decepção das pessoas não se dá por conta do consumo de bens materiais. Para ele, a decepção das pessoas não se dá pela impossibilidade de adquirir um Jaguar e sim pelo consumo cultural. Sob esse paradigma, Lipovetsky dispara contra a programação televisiva e justifica sua afirmação com o argumento da prática do zapping, ou melhor, a prática de trocar de canais. Pois a televisão foi feita para ser um espetáculo e o ato de ficar zapeando é a frustração de um espetáculo que não satisfaz. E por fim, Gilles atribui a pior decepção àquela que temos com as pessoas. Para ele, se enganam aqueles que pensam que o consumo é o principal responsável pela infelicidade humana. O que frustra é a individualização do mundo, a relação com os outros e consigo mesmo. É a era do direito do homem e esse sempre será inferior ao desejo, conclui Gilles.
Mesmo diante do quadro caótico anunciado por Gilles, o filósofo francês não pode ser considerado um pessimista, já que a sociedade da decepção não é a da paralisia e tão pouco a da depressão. Ele se anima com as iniciativas das pessoas, com a ampliação das possibilidades de associações, o aumento do número de artistas. “É uma sociedade que relança a vida, que permite um recomeço”, conclui Lipovetsky.
Grande parte dos argumentos que sustentam o modo de pensar de Gilles se fundamentam em sociedades submetidas a existências midiáticas. A mídia produz a decepção cotidiana que sedimenta o solo firme da compreensão de uma sociedade da decepção. A saída para evitar a simples contaminação da neurose coletiva é reservar um espaço de nossas vidas para valorizar a percepção direta que temos sobre o mundo. Olhar com mais atenção nossa família ao invés da telenovela ou do noticiário da TV. É resistir diante de um mundo fantástico ofertado pela mídia e valorizar a realidade sustentada no núcleo familiar e comunitário. É sair da “matrix”. É criar oportunidades de ser feliz com o que se tem, sem perder a capacidade de olhar para frente. É organizar a vida, desde o momento em que acordamos até a hora de descansar. É valorizar sua percepção de bom senso e reconhecer os limites que contrastam com o senso comum. Esses são desafios ofertados aos indivíduos em convívio social cotidianamente. Uma máxima que deve ser respeitada em defesa da sanidade mental dos indivíduos em uma sociedade globalizada.
Charles Scholl é diretor de Comunicação da Prefeitura de Esteio.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Igreja, mídia e religiosidade / 2007
A compra dos veículos da Caldas Júnior por uma instituição religiosa neste ano favoreceu o debate sobre as intersecções entre instituições midiáticas e religiosas. Os fiéis que sublimam suas culpas nas práticas religiosas têm se mostrado cada vez mais receptivos diante das exposições midiáticas. Afirma-se que a importância dada por algumas instituições religiosas sobre os veículos midiáticos pressupõe uma estratégia na disputa de fiéis. Os pastores, padres e líderes espirituais têm incorporado em seus rituais, numa tendência que se afirma cada vez mais, técnicas que eram exclusivas de jornalistas, publicitários e outros profissionais que atuam na programação televisiva. A própria televisão tem irradiado “ondas de fé” para fiéis que são abençoados em suas residências durante o programa de TV.
Diante do impacto cultural causado pelas novas práticas das instituições religiosas, a onda de choque afeta também o comportamento editorial do quarto poder. A maior preocupação que a comunidade intelectual tem cultivado é sobre as possíveis restrições aos direitos e liberdades civis, afirmados pela nação em que vivemos. Sob um foco excessivamente antropológico seria possível identificar elementos que sustentam o viés de que os segmentos religiosos estão inseridos no Estado-Nação, são parte dele e devem conviver em plena harmonia. Olhando por esse ângulo, podemos compreender que as minorias culturais com comportamentos distintos têm motivos para se mostrarem preocupadas. A composição “mídia e religião” tem se mostrado intolerante com práticas religiosas distintas. Esta realidade se manifesta como um contra-senso sobre os princípios de uma cultura de paz em uma comunidade global. Salvo as instituições religiosas que pregam a superação das limitações individuais nas combinações sociais da família, comunidade e Estado-Nação, via de regra elas têm pregado a discórdia demonizando outras crenças. A preocupação se sustenta se pensarmos na possível influência sobre a linha editorial dos veículos de comunicação e a conseqüente sustentação das posições conservadoras sobre as questões de gênero e orientação sexual.
Assim como os valores sustentados pelas instituições religiosas se mostram cada vez mais presentes na programação de seus veículos de comunicação, os líderes espirituais se apresentam como profissionais da mídia que reformulam seus rituais e incrementam a disputa no mercado de fiéis. Esse é um ambiente propício à sustentação de práticas machistas e homofóbicas. Sem deixar-se influenciar pelas teses decorrentes da psicologia behaviorista, a crescente apropriação dos veículos de comunicação por instituições religiosas certamente influenciará a agenda-setting². Se entendermos essa realidade como um problema, então ele começou quando os líderes religiosos leram Habermas e fizeram do ambiente midiático o campo de disputa estratégico na conquista de corações, almas, espíritos e mentes.
1) Pode-se fazer com que o paradigma psicológico do behaviorismo remonta à obra de Waston, Psychology as the Behaviorist Views It: ele se propunha o objetivo de estudar os conteúdos psicológicos por meio das suas manifestações observáveis. Desse modo, a psicologia passava a se colocar entre as ciências biológicas, no âmbito das ciências naturais. O comportamento – objeto de toda a psicologia – representava a adaptação do organismo ao ambiente.Os comportamentos complexos, manifestados pelo homem podiam ser decompostos em seqüências precisas de unidades: o estímulo, a resposta e o reforço. Seria o impacto do ambiente sobre o indivíduo, a reação ao meio ambiente e os efeitos da ação em condição de modificar as sucessivas reações ao ambiente.
2) O modelo agenda-setting afirma que a influência da comunicação de massa baseia-se no fato de a mídia fornecer toda aquela parte de conhecimento e imagem da realidade social que transpõe os limites restritos da experiência pessoa direta e “imediata”.
Charles Scholl trabalhou na pesquisa “Processos Midiáticos e a Construção de Novas Religiosidades”, de autoria do professor Dr. Antônio Fausto Neto, na pós-graduação em Comunicação Social - Unisinos.
Diante do impacto cultural causado pelas novas práticas das instituições religiosas, a onda de choque afeta também o comportamento editorial do quarto poder. A maior preocupação que a comunidade intelectual tem cultivado é sobre as possíveis restrições aos direitos e liberdades civis, afirmados pela nação em que vivemos. Sob um foco excessivamente antropológico seria possível identificar elementos que sustentam o viés de que os segmentos religiosos estão inseridos no Estado-Nação, são parte dele e devem conviver em plena harmonia. Olhando por esse ângulo, podemos compreender que as minorias culturais com comportamentos distintos têm motivos para se mostrarem preocupadas. A composição “mídia e religião” tem se mostrado intolerante com práticas religiosas distintas. Esta realidade se manifesta como um contra-senso sobre os princípios de uma cultura de paz em uma comunidade global. Salvo as instituições religiosas que pregam a superação das limitações individuais nas combinações sociais da família, comunidade e Estado-Nação, via de regra elas têm pregado a discórdia demonizando outras crenças. A preocupação se sustenta se pensarmos na possível influência sobre a linha editorial dos veículos de comunicação e a conseqüente sustentação das posições conservadoras sobre as questões de gênero e orientação sexual.
Assim como os valores sustentados pelas instituições religiosas se mostram cada vez mais presentes na programação de seus veículos de comunicação, os líderes espirituais se apresentam como profissionais da mídia que reformulam seus rituais e incrementam a disputa no mercado de fiéis. Esse é um ambiente propício à sustentação de práticas machistas e homofóbicas. Sem deixar-se influenciar pelas teses decorrentes da psicologia behaviorista, a crescente apropriação dos veículos de comunicação por instituições religiosas certamente influenciará a agenda-setting². Se entendermos essa realidade como um problema, então ele começou quando os líderes religiosos leram Habermas e fizeram do ambiente midiático o campo de disputa estratégico na conquista de corações, almas, espíritos e mentes.
1) Pode-se fazer com que o paradigma psicológico do behaviorismo remonta à obra de Waston, Psychology as the Behaviorist Views It: ele se propunha o objetivo de estudar os conteúdos psicológicos por meio das suas manifestações observáveis. Desse modo, a psicologia passava a se colocar entre as ciências biológicas, no âmbito das ciências naturais. O comportamento – objeto de toda a psicologia – representava a adaptação do organismo ao ambiente.Os comportamentos complexos, manifestados pelo homem podiam ser decompostos em seqüências precisas de unidades: o estímulo, a resposta e o reforço. Seria o impacto do ambiente sobre o indivíduo, a reação ao meio ambiente e os efeitos da ação em condição de modificar as sucessivas reações ao ambiente.
2) O modelo agenda-setting afirma que a influência da comunicação de massa baseia-se no fato de a mídia fornecer toda aquela parte de conhecimento e imagem da realidade social que transpõe os limites restritos da experiência pessoa direta e “imediata”.
Charles Scholl trabalhou na pesquisa “Processos Midiáticos e a Construção de Novas Religiosidades”, de autoria do professor Dr. Antônio Fausto Neto, na pós-graduação em Comunicação Social - Unisinos.
A câmara de gás do supermercado do Paraguai / 2004
"A luta pelos Direitos Humanos, assim, aponta para uma outra exigência normalmente desconsiderada e que vincula-se a uma ampla reforma ético-cultural do mundo contemporâneo." Marcos Rolim
Quando fiquei sabendo da tragédia humana que ocorreu no Hipermercado Ycuá Bolaños, em Assunção, no Paraguai, fiquei horrorizado pela tragédia em si e, principalmente, com a reação dos responsáveis daquele estabelecimento. Escrevi uma nota que distribuí por e-mail. O jornalista André Pereira, assessor de imprensa do Deputado Adão Villaverde – PT, ao receber a nota em 03/08, sugeriu um novo título para este assunto. Adotei a sugestão e não poderia deixar passar outras observações feitas pela imprensa na cobertura deste fato como a do "olimpiano" Paulo Sant'Anna, que optou por não acreditar no que as notícias estão nos informando. "Não dá para acreditar que no Paraguai, diante de incêndio, as portas de saída sejam fechadas....Não pode ter sido assim." Mas o Correio do Povo, O Sul, o Jornal do Comércio e a Zero Hora estamparam a incompreensível realidade em títulos com letras garrafais. Como os números da tragédia se projetaram em uma impressionante escala ascendente, qualquer informação sobre mortos e feridos se tornaram altamente perecíveis.
O que mais comove nas notícias que temos sobre a tragédia ocorrida no Paraguai, por volta do meio-dia de domingo (01/08), não é o acidente, mas o incidente. Segundo relato de um bombeiro, a maioria das pessoas morreram intoxicadas. Isso porque havia uma ordem de manter as portas fechadas para impedir que as pessoas saíssem do mercado sem pagar. Outro bombeiro relatou que ao chegar no supermercado encontrou as portas fechadas enquanto o estabelecimento pegava fogo. Ao intervir foi recebido com um tiro de advertência disparado pelo segurança do Ycuá Bolaños. O proprietário Juan Pio Paiva e seu filho, apontados como responsáveis pelas ordens dos seguranças, quando foram indagados diretamente disseram que não tinham ordenado o fechamento das portas. Inclusive apontam como responsável o gerente que teria morrido no incêndio.
O fogo iniciou no subsolo, onde foram encontrados vários corpos carbonizados no interior dos carros, e teria começado por um vazamento de gás. Ao fechar as portas do mercado, o estabelecimento se transformou em uma grande câmara de gás, que provocou o desmaio relatado pelos sobreviventes da tragédia. Uma menina de nove anos que estava com seu irmão - de seis anos - disse lembrar de sua perna pegando fogo, mas pela fumaça intensa acabou desmaiando e quando acordou estava em uma viatura policial. Os irmãos foram comprar iogurte no supermercado.
Incêndios acontecem e nos indignamos quando somos surpreendidos por falhas que poderiam evitar o acidente. Porém, nesse caso podemos perceber claramente qual foi a principal preocupação quando as chamas consumiam o supermercado. Até que ponto os responsáveis pelo estabelecimento estavam dispostos a chegar para defender o patrimônio. Essa violência é regida diariamente, em doses homeopáticas, ultradiluídas, capaz de disfarçar-se no meio da publicidade. O fato chocou comunidades internacionais. A ajuda humanitária às vítimas do incêndio está sendo feita de várias partes do mundo. O incêndio revelou alguns princípios que precisam ser repensados. A situação não se revelaria nas relações institucionalizadas em que os seres humanos são resumidos a consumidores e suas vidas são tratadas e compreendidas a partir de uma tabela numérica. Precisamos, urgentemente, humanizar nossas relações.
Charles Scholl
falecomcharles@pop.com.br
Porto Alegre, 05 de agosto, de 2004.
Quando fiquei sabendo da tragédia humana que ocorreu no Hipermercado Ycuá Bolaños, em Assunção, no Paraguai, fiquei horrorizado pela tragédia em si e, principalmente, com a reação dos responsáveis daquele estabelecimento. Escrevi uma nota que distribuí por e-mail. O jornalista André Pereira, assessor de imprensa do Deputado Adão Villaverde – PT, ao receber a nota em 03/08, sugeriu um novo título para este assunto. Adotei a sugestão e não poderia deixar passar outras observações feitas pela imprensa na cobertura deste fato como a do "olimpiano" Paulo Sant'Anna, que optou por não acreditar no que as notícias estão nos informando. "Não dá para acreditar que no Paraguai, diante de incêndio, as portas de saída sejam fechadas....Não pode ter sido assim." Mas o Correio do Povo, O Sul, o Jornal do Comércio e a Zero Hora estamparam a incompreensível realidade em títulos com letras garrafais. Como os números da tragédia se projetaram em uma impressionante escala ascendente, qualquer informação sobre mortos e feridos se tornaram altamente perecíveis.
O que mais comove nas notícias que temos sobre a tragédia ocorrida no Paraguai, por volta do meio-dia de domingo (01/08), não é o acidente, mas o incidente. Segundo relato de um bombeiro, a maioria das pessoas morreram intoxicadas. Isso porque havia uma ordem de manter as portas fechadas para impedir que as pessoas saíssem do mercado sem pagar. Outro bombeiro relatou que ao chegar no supermercado encontrou as portas fechadas enquanto o estabelecimento pegava fogo. Ao intervir foi recebido com um tiro de advertência disparado pelo segurança do Ycuá Bolaños. O proprietário Juan Pio Paiva e seu filho, apontados como responsáveis pelas ordens dos seguranças, quando foram indagados diretamente disseram que não tinham ordenado o fechamento das portas. Inclusive apontam como responsável o gerente que teria morrido no incêndio.
O fogo iniciou no subsolo, onde foram encontrados vários corpos carbonizados no interior dos carros, e teria começado por um vazamento de gás. Ao fechar as portas do mercado, o estabelecimento se transformou em uma grande câmara de gás, que provocou o desmaio relatado pelos sobreviventes da tragédia. Uma menina de nove anos que estava com seu irmão - de seis anos - disse lembrar de sua perna pegando fogo, mas pela fumaça intensa acabou desmaiando e quando acordou estava em uma viatura policial. Os irmãos foram comprar iogurte no supermercado.
Incêndios acontecem e nos indignamos quando somos surpreendidos por falhas que poderiam evitar o acidente. Porém, nesse caso podemos perceber claramente qual foi a principal preocupação quando as chamas consumiam o supermercado. Até que ponto os responsáveis pelo estabelecimento estavam dispostos a chegar para defender o patrimônio. Essa violência é regida diariamente, em doses homeopáticas, ultradiluídas, capaz de disfarçar-se no meio da publicidade. O fato chocou comunidades internacionais. A ajuda humanitária às vítimas do incêndio está sendo feita de várias partes do mundo. O incêndio revelou alguns princípios que precisam ser repensados. A situação não se revelaria nas relações institucionalizadas em que os seres humanos são resumidos a consumidores e suas vidas são tratadas e compreendidas a partir de uma tabela numérica. Precisamos, urgentemente, humanizar nossas relações.
Charles Scholl
falecomcharles@pop.com.br
Porto Alegre, 05 de agosto, de 2004.
Quando a morte bate na porta / 2004
Por mais de uma vez me deparei com determinadas situações em que tive deescolher entre ficar vivo ou desistir de lutar. Quando uso o termo "lutar"como sentido de vida me dou conta de que o espírito espartano bate forte eque o dia a dia só é possível de se viver lutando. As passagens maismarcantes e difíceis foram registradas em outros textos que escrevi aexemplo daquele intitulado "Relatos de um sobrevivente". É indescritível oque se passa na cabeça quando temos a certeza de que vamos morrer. As vezestenho a impressão de que as forças psicológicas é que sustentaram o corpoincapaz de funcionar sozinho, algo para além daquilo que acreditava serpossível ou impossível.
Devem ser essas sensações que sustentam a frase "oque não nos mata nos deixa mais forte".O fato é que a morte bate na nossa porta por caminhos diversos daqueles quetrilhamos. Um exemplo é quando acontece algo grave com algum parente, amigoou conhecido. Nesses momentos refletimos sobre a vida e fizemos um esforçopara tomar posições de garantia da vida. Reagimos como formigas que percebema falha na fila provocada por um predador à espreita e reagem constituindooutro caminho.
Para essa decisão ser bem sucedida para as formigas elasprecisam da informação de que há falha na fila e a informação de que ladoestá o predador. Nesse sentido é que as coisas complicam, pois temos nocotidiano dos nossos centros urbanos uma imensa "falha na fila", provocadapelo que chamamos de crise na segurança pública, e dificilmente sabemos ondeestá o predador e a falha na fila me parece que não é compreendida peloformigueiro. Lembrei da morte porque um importante amigo, cujascaracterísticas pessoais se distanciam de qualquer sujeito violento,tornou-se mais um sobrevivente.
Obviamente ele optou pela vida, pois estáentre nós. No meu formigueiro afirmamos que ele optou por continuar lutando.Nesses momentos percebemos que muitos dos desafios cotidianos ficam menores.A mesquinhez não encontra lugar diante da grandeza daquele que optou pelavida. Então percebemos que existe uma força motriz e a sentimos com maisintensidade quando somos submetidos a uma situação de dificuldade extrema.Quando fui convidado a escrever um texto, depois do ocorrido, não mesobravam alternativas, pois nenhuma pauta me parecia relevante para serabordada em primeira pessoa. Então decidi tentar partilhar essa sensação epedir para que as autoridades do formigueiro procurem identificar as "falhasna fila". O meu amigo Paulo, a quem dedico esse texto, ainda está nohospital. Ele me socorreu em momentos difíceis, pois mesmo tendo pessoas noentorno, é preciso ter competência para poder ajudar e assim foi com o Pauloa quem não me canso de agradecer. Desejo uma rápida recuperação e um breveretorno para o trabalho.
Porto Alegre, 07 de julho, de 2004.
Devem ser essas sensações que sustentam a frase "oque não nos mata nos deixa mais forte".O fato é que a morte bate na nossa porta por caminhos diversos daqueles quetrilhamos. Um exemplo é quando acontece algo grave com algum parente, amigoou conhecido. Nesses momentos refletimos sobre a vida e fizemos um esforçopara tomar posições de garantia da vida. Reagimos como formigas que percebema falha na fila provocada por um predador à espreita e reagem constituindooutro caminho.
Para essa decisão ser bem sucedida para as formigas elasprecisam da informação de que há falha na fila e a informação de que ladoestá o predador. Nesse sentido é que as coisas complicam, pois temos nocotidiano dos nossos centros urbanos uma imensa "falha na fila", provocadapelo que chamamos de crise na segurança pública, e dificilmente sabemos ondeestá o predador e a falha na fila me parece que não é compreendida peloformigueiro. Lembrei da morte porque um importante amigo, cujascaracterísticas pessoais se distanciam de qualquer sujeito violento,tornou-se mais um sobrevivente.
Obviamente ele optou pela vida, pois estáentre nós. No meu formigueiro afirmamos que ele optou por continuar lutando.Nesses momentos percebemos que muitos dos desafios cotidianos ficam menores.A mesquinhez não encontra lugar diante da grandeza daquele que optou pelavida. Então percebemos que existe uma força motriz e a sentimos com maisintensidade quando somos submetidos a uma situação de dificuldade extrema.Quando fui convidado a escrever um texto, depois do ocorrido, não mesobravam alternativas, pois nenhuma pauta me parecia relevante para serabordada em primeira pessoa. Então decidi tentar partilhar essa sensação epedir para que as autoridades do formigueiro procurem identificar as "falhasna fila". O meu amigo Paulo, a quem dedico esse texto, ainda está nohospital. Ele me socorreu em momentos difíceis, pois mesmo tendo pessoas noentorno, é preciso ter competência para poder ajudar e assim foi com o Pauloa quem não me canso de agradecer. Desejo uma rápida recuperação e um breveretorno para o trabalho.
Porto Alegre, 07 de julho, de 2004.
Cooperativismo e senso comum / 2004
O presidente Lula pediu para que os brasileiros boicotem os juros altos ebusquem alternativas para fugir do cheque especial e dos juros abusivos docartão de crédito. O deputado Luis Fernando Schmidt, do PT, repercutiu aspalavras do presidente no artigo publicado na contracapa desta edição com otítulo "O recado de Lula". Nesse artigo temos uma dimensão do que representao movimento das cooperativas de crédito nos grandes centros econômicos doplaneta.O que chama a atenção no artigo otimista, pelas possibilidades de expansãodo cooperativismo de crédito no Brasil, são os números que representam arealidade nacional do cooperativismo de crédito e os números internacionais.
O senso comum nos centros urbanos identifica as cooperativas de crédito como"coisas de pobre", ou melhor, isso é para pessoas que não possuem recursosfinanceiros para ter acesso ao sistema bancário privado, ou dos bancosestatais. Outra impressão desinformada e imbecilizante é aquela quequestiona sobre qual a confiabilidade de um negócio desses?O presidente Lula tem toda a razão em se perguntar sobre os motivos quelevam o brasileiro a não se organizar em cooperativas de crédito paraenfrentar, de forma solidária, os problemas financeiros de nossa economia.As cooperativas de crédito, depois da resolução do Conselho MonetárioNacional tomada em 25 de julho, tendem a ter mais flexibilidade para seorganizarem. Essa medida possibilita o crescimento desse tipo de relaçãoeconômica.
As cooperativas de crédito representam a alternativa para odesenvolvimento econômico oxigenando as operações financeiras das pequenas emédias empresas sem que isso represente um assalto. Essa alternativa tem umpoder notável de transformação social capaz de alavancar o crescimentoeconômico de comunidades locais sem a fuga de dólares provocadas peloslucros das empresas multinacionais instaladas no Estado por meio dasprivatizações. Precisamos, como brasileiros, manter nossas reservas e osistema de cooperativas de crédito tem um princípio que permite essafaçanha. O principio da solidariedade.
O principio da competitividade, queorienta majoritariamente as instituições financeiras tradicionais do Brasil,prevê, antes de tudo, a eliminação do outro.Seria prudente se os brasileiros, que não são proprietários de bancos,dessem ouvidos para o presidente e parem de fazer pose de rico ao pagar 12%de juros ao mês. Isso é desumano; isso é uma barbárie. Porém, somos vítimasde mais uma mazela da cultura política de nosso país chamada depaternalismo, que prejudica o espírito criativo do povo na resolução de seusproblemas. Ações de organização social como essas terão o sucesso de seusassociados. Se pensarmos que 46% das instituições financeiras européias eramcooperativas de crédito, teremos pelo menos a mensagem de que esse modelo deorganização econômica é que alavancou os principais centros financeiros domundo. Creio que uma iniciativa como essa poderia oxigenar nossa economia nomunicípio e se temos esteienses que concordam com essas afirmaçõesencontrarão, no Jornal Eco do Sinos, um parceiro na implementação práticadessas idéias.
Maria Inês Scholl
Charles Scholl
Sérgio Heráclito Scholl Heinz
O senso comum nos centros urbanos identifica as cooperativas de crédito como"coisas de pobre", ou melhor, isso é para pessoas que não possuem recursosfinanceiros para ter acesso ao sistema bancário privado, ou dos bancosestatais. Outra impressão desinformada e imbecilizante é aquela quequestiona sobre qual a confiabilidade de um negócio desses?O presidente Lula tem toda a razão em se perguntar sobre os motivos quelevam o brasileiro a não se organizar em cooperativas de crédito paraenfrentar, de forma solidária, os problemas financeiros de nossa economia.As cooperativas de crédito, depois da resolução do Conselho MonetárioNacional tomada em 25 de julho, tendem a ter mais flexibilidade para seorganizarem. Essa medida possibilita o crescimento desse tipo de relaçãoeconômica.
As cooperativas de crédito representam a alternativa para odesenvolvimento econômico oxigenando as operações financeiras das pequenas emédias empresas sem que isso represente um assalto. Essa alternativa tem umpoder notável de transformação social capaz de alavancar o crescimentoeconômico de comunidades locais sem a fuga de dólares provocadas peloslucros das empresas multinacionais instaladas no Estado por meio dasprivatizações. Precisamos, como brasileiros, manter nossas reservas e osistema de cooperativas de crédito tem um princípio que permite essafaçanha. O principio da solidariedade.
O principio da competitividade, queorienta majoritariamente as instituições financeiras tradicionais do Brasil,prevê, antes de tudo, a eliminação do outro.Seria prudente se os brasileiros, que não são proprietários de bancos,dessem ouvidos para o presidente e parem de fazer pose de rico ao pagar 12%de juros ao mês. Isso é desumano; isso é uma barbárie. Porém, somos vítimasde mais uma mazela da cultura política de nosso país chamada depaternalismo, que prejudica o espírito criativo do povo na resolução de seusproblemas. Ações de organização social como essas terão o sucesso de seusassociados. Se pensarmos que 46% das instituições financeiras européias eramcooperativas de crédito, teremos pelo menos a mensagem de que esse modelo deorganização econômica é que alavancou os principais centros financeiros domundo. Creio que uma iniciativa como essa poderia oxigenar nossa economia nomunicípio e se temos esteienses que concordam com essas afirmaçõesencontrarão, no Jornal Eco do Sinos, um parceiro na implementação práticadessas idéias.
Maria Inês Scholl
Charles Scholl
Sérgio Heráclito Scholl Heinz
O recado de Lula / 2004
O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em umasolenidade que comemora o Dia Internacional do Cooperativismo, afirmou nãocompreender os motivos que levam o brasileiro ir ao banco e pagar 12% dejuros ao mês. Lula deu uma mensagem importante para o desenvolvimentoeconômico, principalmente dos pequenos e médios empreendedores, quandosugere que se organizem em cooperativas de crédito.
No seu discurso, opresidente lembra que em uma cooperativa de crédito os envolvidos sãocompanheiros que partilham de um problema semelhante e que questões comoessas não se resolvem com leis, mas com ações. Uma medida tomada peloGoverno Federal procura fomentar financiamentos com juros mais baixos aoobrigar os bancos a destinarem 2% dos depósitos à vista para operações demicrocrédito. A dica é que esses empréstimos com taxas menores pode ser umaalternativa para f ugir dos juros do cheque especial e do cartão de crédito.
O recado de Lula condiz com o apoio governamental que o Brasil estádando ao cooperativismo de crédito. Esse apoio traduz um entendimento deconsenso entre pesquisadores das mais variadas correntes de que odesenvolvimento de um grande país depende fortemente do acesso aos serviçosfinanceiros por parte dos cidadãos menos favorecidos e das pequenas e médiasempresas. As cooperativas de crédito nasceram na Alemanha em 1848 e noBrasil a idéia chegou em 1902. Atualmente a Alemanha tem 15 milhões deassociados em cooperativas de crédito representando 20% de todo o movimentofinanceiro do país. No segmento rural o exemplo internacional que se podedestacar é o da Holanda através do banco cooperativa Rabobank, que atendemais de 90% da demanda do setor no país. Estudos indicam que 25% dosnorte-americanos sejam associados a uma cooperativa de crédito. Segundo aAgência Estatística da União Européia, 46% do total das instituições decrédito da Europa eram cooperativas, parti cipando com cerca de 15% daintermediação financeira.A partir daí podemos ter uma idéia do potencial de crescimento docooperativismo de crédito no Brasil. Em dezembro de 2003 o cooperativismo decrédito no Brasil respondia por 2,14% das operações de crédito realizadas noâmbito da área bancária do sistema financeiro nacional e possuía 2,24% dopatrimônio líquido total da área bancária do sistema financeiro nacional.São números acanhados se comparados com os países maisdesenvolvidos. Depois da Lei Cooperativista editada em 1971, talvez, amedida mais importante para o setor tenha sido a de 25 de julho de 2003,tomada pelo Conselho MonetárioNacional, quando aprovou a resolução 3.106, que possibilitou aconstituição de cooperativas de crédito de livre admissão de associadosdentro de sua área de atuação, respeitando certos limites populacionais. Amedida pode vir a possibilitar uma expansão mais acentuada do cooperativismode crédito no Brasil aproximando-se do cooperativismo praticado nosprincipais centros econô micos mundiais.
No seu discurso, opresidente lembra que em uma cooperativa de crédito os envolvidos sãocompanheiros que partilham de um problema semelhante e que questões comoessas não se resolvem com leis, mas com ações. Uma medida tomada peloGoverno Federal procura fomentar financiamentos com juros mais baixos aoobrigar os bancos a destinarem 2% dos depósitos à vista para operações demicrocrédito. A dica é que esses empréstimos com taxas menores pode ser umaalternativa para f ugir dos juros do cheque especial e do cartão de crédito.
O recado de Lula condiz com o apoio governamental que o Brasil estádando ao cooperativismo de crédito. Esse apoio traduz um entendimento deconsenso entre pesquisadores das mais variadas correntes de que odesenvolvimento de um grande país depende fortemente do acesso aos serviçosfinanceiros por parte dos cidadãos menos favorecidos e das pequenas e médiasempresas. As cooperativas de crédito nasceram na Alemanha em 1848 e noBrasil a idéia chegou em 1902. Atualmente a Alemanha tem 15 milhões deassociados em cooperativas de crédito representando 20% de todo o movimentofinanceiro do país. No segmento rural o exemplo internacional que se podedestacar é o da Holanda através do banco cooperativa Rabobank, que atendemais de 90% da demanda do setor no país. Estudos indicam que 25% dosnorte-americanos sejam associados a uma cooperativa de crédito. Segundo aAgência Estatística da União Européia, 46% do total das instituições decrédito da Europa eram cooperativas, parti cipando com cerca de 15% daintermediação financeira.A partir daí podemos ter uma idéia do potencial de crescimento docooperativismo de crédito no Brasil. Em dezembro de 2003 o cooperativismo decrédito no Brasil respondia por 2,14% das operações de crédito realizadas noâmbito da área bancária do sistema financeiro nacional e possuía 2,24% dopatrimônio líquido total da área bancária do sistema financeiro nacional.São números acanhados se comparados com os países maisdesenvolvidos. Depois da Lei Cooperativista editada em 1971, talvez, amedida mais importante para o setor tenha sido a de 25 de julho de 2003,tomada pelo Conselho MonetárioNacional, quando aprovou a resolução 3.106, que possibilitou aconstituição de cooperativas de crédito de livre admissão de associadosdentro de sua área de atuação, respeitando certos limites populacionais. Amedida pode vir a possibilitar uma expansão mais acentuada do cooperativismode crédito no Brasil aproximando-se do cooperativismo praticado nosprincipais centros econô micos mundiais.
Mercado interno e a sustentabilidade / 2004
Na semana anterior falamos sobre a importância das cooperativas de crédito e suasíntimas relações na edificação dos grandes centros econômicos do Planeta.Comparamos, no texto, a importância econômica dessas modalidades de transaçõesfinanceiras com aquilo que, convencionalmente resolvemos chamar de senso comum.Então, partimos do pressuposto de que as cooperativas de crédito, assim como asrelações cooperativadas são formas organizacionais edificantes e propícias paraemergentes dos mais variados setores produtivos.
O que fica um tanto abstrato sãoas teorizações em torno dos processos cooperativados desacompanhados de exemplospráticos, que ofereceriam uma leitura facilitada do processo em si.Nesse sentido, procuro complementar essa afirmativa teórica com exemplos práticosque estão em pleno andamento. Um caso curioso e que merece nossa atenção é o daGeralcoop. A empresa originalmente chamava-se Fogões Geral. Localizada em Guaíba,foi assumida pelos seus funcionários. O curioso é que enquanto as regras de mercadonos aponta que a tecnologia é uma vantagem, a impressão que se tem é que o sucessoda Geralcoop é justamente a falta de tecnologia. A empresa está funcionandoexclusivamente para o mercado interno e tem como carro chefe de produção aconfecção de fogões a lenha.
A vantagem da estabilidade na produção para o mercadointerno é que ela está sujeita a variações previsíveis pelos seus dirigentes quevivem a realidade econômica e política imersos nela. As estratégias de crescimento,expansão ou táticas de retração podem ser mais bem tratadas de modo que não setornem uma violência ao cotidiano dos trabalhadores. Pelas últimas notícias quetenho da empresa, a produção não para, apesar da redução do frio nesse inverno. Nocaso desta empresa o fator climático é determinante para a demanda de produção.Podemos dizer que a Geralcoop tem possibilidades para exportação e uma autonomiasubsistente ancorada no consumo do mercado interno. Isso significa que a crisedeflagrada pela Argentina, com as restrições impostas através da taxação deprodutos específicos, não atinge o desempenho da Geralcoop. Se lembrarmos osestragos econômicos que a crise da abertura da economia trouxe para o setorcoureiro-calçadista, com a entrada dos produtos chineses, teremos uma idéia do quesignifica a importância da sustentabilidade ancorada no consumo do mercado interno.Em Esteio temos poucas empresas que são dependentes do mercado interno.
A maioriadelas são de pequeno porte e possuem um status que não se compara com as grandesempresas exportadoras sediadas no município. Essa imagem social, que convencionamoschamar de status, não pode, de forma alguma, diminuir a importância do pequenoempreendedor que está sediado no município. Inclusive, pelas característicasespecíficas da geografia que nos limita, os empreendimentos de pequeno e médioporte representam a alternativa para uma economia sustentável do município. Essasempresas devem ser tratadas como prioridade e organizadas para seu sucesso nomercado interno, com o apoio do poder público, e incentivadas para a expansãoprodutiva em busca de outros mercados. Com a mudança do Conselho Monetário Nacionalsobre as regras de organização de cooperativas ampliam-se às possibilidadescognitivas e essa realidade no aponta novas possibilidade para o desenvolvimentoeconômico do município.Porto Alegre, 19 de julho, de 2004.
Charles Scholl - falecomcharles@pop.com.br
O que fica um tanto abstrato sãoas teorizações em torno dos processos cooperativados desacompanhados de exemplospráticos, que ofereceriam uma leitura facilitada do processo em si.Nesse sentido, procuro complementar essa afirmativa teórica com exemplos práticosque estão em pleno andamento. Um caso curioso e que merece nossa atenção é o daGeralcoop. A empresa originalmente chamava-se Fogões Geral. Localizada em Guaíba,foi assumida pelos seus funcionários. O curioso é que enquanto as regras de mercadonos aponta que a tecnologia é uma vantagem, a impressão que se tem é que o sucessoda Geralcoop é justamente a falta de tecnologia. A empresa está funcionandoexclusivamente para o mercado interno e tem como carro chefe de produção aconfecção de fogões a lenha.
A vantagem da estabilidade na produção para o mercadointerno é que ela está sujeita a variações previsíveis pelos seus dirigentes quevivem a realidade econômica e política imersos nela. As estratégias de crescimento,expansão ou táticas de retração podem ser mais bem tratadas de modo que não setornem uma violência ao cotidiano dos trabalhadores. Pelas últimas notícias quetenho da empresa, a produção não para, apesar da redução do frio nesse inverno. Nocaso desta empresa o fator climático é determinante para a demanda de produção.Podemos dizer que a Geralcoop tem possibilidades para exportação e uma autonomiasubsistente ancorada no consumo do mercado interno. Isso significa que a crisedeflagrada pela Argentina, com as restrições impostas através da taxação deprodutos específicos, não atinge o desempenho da Geralcoop. Se lembrarmos osestragos econômicos que a crise da abertura da economia trouxe para o setorcoureiro-calçadista, com a entrada dos produtos chineses, teremos uma idéia do quesignifica a importância da sustentabilidade ancorada no consumo do mercado interno.Em Esteio temos poucas empresas que são dependentes do mercado interno.
A maioriadelas são de pequeno porte e possuem um status que não se compara com as grandesempresas exportadoras sediadas no município. Essa imagem social, que convencionamoschamar de status, não pode, de forma alguma, diminuir a importância do pequenoempreendedor que está sediado no município. Inclusive, pelas característicasespecíficas da geografia que nos limita, os empreendimentos de pequeno e médioporte representam a alternativa para uma economia sustentável do município. Essasempresas devem ser tratadas como prioridade e organizadas para seu sucesso nomercado interno, com o apoio do poder público, e incentivadas para a expansãoprodutiva em busca de outros mercados. Com a mudança do Conselho Monetário Nacionalsobre as regras de organização de cooperativas ampliam-se às possibilidadescognitivas e essa realidade no aponta novas possibilidade para o desenvolvimentoeconômico do município.Porto Alegre, 19 de julho, de 2004.
Charles Scholl - falecomcharles@pop.com.br
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