terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Homenagem ao meu aniversário

Meu irmão, Sérgio Heráclito Scholl Heinz, colunista do Jornal Eco do Sinos fez uma homenagem pela passagem do meu aniversário. Resolvi por bem publicar seu texto neste espaço.

12/11/2008 - 19:06
Uma vida com foco na ciência da comunicação


Quiz fazer uma homenagem surpresa para meu irmão, Charles Scholl, e para isso digitei seu nome no Google. Eis então o que descobri:
No dia 1 de novembro, o diretor de comunicação da Prefeitura de Esteio, Charles Scholl, completou 37 anos. Acadêmico da Unisinos, foi bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia na pós-graduação em Comunicação Social coordenado pelo professor, Doutor em Comunicação Social, Antônio Fausto Neto, na pesquisa Processos Midiáticos e a Construção de Novas Religiosidades. Além de escritor e ensaísta, tem uma forte atuação como empreendedor. Contribuiu para a criação de diversos veículos de comunicação, entre rádio, tv, jornais, revistas e de portais na internet. Como pesquisador, segundo site do CNPq, atua na área das Ciências Sociais Aplicadas / Área: Comunicação / Subárea: Jornalismo e Editoração / Especialidade: Jornalismo Especializado (Comunitário, Rural, Empresarial e Científico).
Possui diversos artigos publicados em sites especializados em comunicação social, alguns com repercussão nacional, tais como “Igreja, Mídia e Religiosidade” (http://www.coletiva.net/artigosDetalhe.php?idArtigo=1229), em que apresenta reflexão sobre os novos proprietários do jornal Correio do Povo; “Entre a ilusão e a decepção, um elogio ao bom senso” (http://www.coletiva.net/artigosDetalhe.php?idArtigo=1211), em que reflete sobre a tese da sociedade de decepção de Gilles Lipovetsky; e mais recentemente publicou o texto “Estranhamentos à prática da democracia” (http://www.mptbrasil.com.br/site/conteudo.php?pag=artigos&id=9), em que defende as alianças partidárias como valorização da virtude na política.
Tem sido sistematicamente vitorioso nas campanhas políticas: trabalhou na eleição de Marcos Rolim, na reeleição de Luis Fernando Schmidt, atuou junto a comunicação na campanha de Gilmar Rinaldi e de Leo Dahmer. Sempre quis publicar a produção silenciosa de Charles Scholl, pois além de meu irmão, Charles é a pessoa com quem gosto de discutir as tendências da comunicação. O Jornal Eco do Sinos deseja muito sucesso e felicidade para sua vida.


Sérgio Heráclito Scholl Heinz - Diretor do Jornal Eco do Sinos

domingo, 21 de dezembro de 2008

A grama alta na vida do workaholic

Após uma enxurrada de compromissos profissionais que oprimiram o tempo que reservo à vida pessoal olhei a volta e percebi que o tempo não para. O relógio biológico me ofertou mais rugas e cabelos brancos. As nuvens soltas que deslizam no céu marcam o tempo que se esvai como a água que escapa entre os dedos e não volta mais. Também é certo que o tempo em que estive trabalhando foi um tempo vivido intensamente, mas o contraste entre a vida pessoal e profissional se acentuou sobre as coisas do cotidiano que não podemos delegar para ninguém. Fui acometido por um sentimento de extrema nostalgia, como se tivesse que prestar contas de tudo que fiz na vida em um segundo. As maiores dívidas que tenho, por mais redundante que possa parecer, estão sobre as coisas que não fiz. Talvez essa vontade de contabilizar a vida seja uma resposta aos estímulos do calendário de dezembro, quando encerramos atividades do ano e programamos nossos afazeres em um renovar de esperanças.

A opressão que senti sobre os compromissos pessoais que deixei de resolver sempre me inquietara. Estava orgulhoso demais para perceber. Iludido com aquilo que acreditava ser realidade. Porém, a verdade estava diante da porta da minha casa. Estava manifesta no pátio, que me ofertava uma agonia cotidiana que procurava amortizar em prestações medíocres de conquistas alheias, que jamais serão reconhecidas. Tudo que fiz foi por que precisava ser feito. Viabilizei projetos, promovi pessoas, levantei fundos, transformei realidades e, enquanto isso, a grama da minha casa apontava o desleixo com as coisas mais básicas da vida. Como se eu estivesse fugindo de mim mesmo. Nessa fuga agi como um cão tolo que corre em torno de seu próprio rabo. Mesmo com o esforço de noites em claro, a grama da minha casa não perdoava e continuava a crescer.

Tudo era empecilho. Cheguei a contratar três pessoas e contatei mais duas para que fizessem o serviço. Ninguém apareceu e a grama continuava a crescer. Meus amigos já perguntavam se eu ainda morava ali. Meus vizinhos pararam de me cumprimentar. Nem mesmo os gatos que circulavam o terreno mantiveram suas freqüentes investidas na grama, que já havia se tornado mais forte e alta impondo-se sobre qualquer quadrúpede doméstico que ousasse batizá-la. O desafio de retomar alguma idéia de controle sobre minha vida passava pelo corte da grama que não parava de crescer.
Na vida, quando nos deparamos com dificuldades, o melhor caminho é buscar a superação dos nossos limites. Nossos amigos são fundamentais para isso, pois nos dão a chance de perceber pontos de vista que nos parecem cegos de onde olhamos. Após refletir muito sobre isso, surgiu uma bondosa alma que se sensibilizou com o drama e me ofereceu uma ferramenta para que eu pudesse resolver o problema. Com a máquina de cortar grama na mão, ainda tinha que vencer minhas resistências e encarar a tarefa como prioridade. Abandonar compromissos que julgava importantes e reconhecer, humildemente, a necessidade de equilibrar a dedicação da vida. Até mesmo os colegas de trabalho tinham dificuldades de compreender o foco demasiado sobre os assuntos profissionais e criou-se, com isso, um ciclo degenerativo que comprometia tudo.

Com as ferramentas, com o tempo e a atenção necessária, finalmente cortei a grama da minha casa e a vida voltou a brilhar. Meus vizinhos me cumprimentavam com entusiasmo, pessoas que passavam na rua paravam para perguntar se eu queria vender a propriedade e tive clareza sobre todos os assuntos pessoais que tenho que resolver. O melhor na vida é aprender com os erros dos outros, pois isso pode poupar sofrimentos desnecessários. Nesse final de ano não deixe de cortar a grama alta de suas vidas, por mais difícil que seja a tarefa. Pois, certamente os desafios que estão por vir, no ano que está para nascer serão digeridos pelo relógio biológico da vida, sem que ocorra uma congestão existencial que sempre nos traz a desagradável sensação de perda de tempo. Até porque o tempo não para...

Charles Scholl
falecomcharles@pop.com.br

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O Território da Paz e o Comando Vermelho

Desde sempre, na história brasileira, a lógica da hipótese repressiva tem sido ofertada como paradigma das políticas de Segurança Pública. Militantes dos Direitos Humanos de todas as partes, tais como Marcos Rolim, James Cavallaro, Luiz Eduardo Soares, João Moreira Salles iniciaram diversos movimentos na sociedade civil nos países latino-americanos e caribenhos com o intuito de inserir a agenda dos Direitos Humanos na estrutura conceitual do Estado. Luiz Eduardo Soares, surge como um braço estratégico do movimento Viva Rio ao assumir o front da segurança pública no Rio de Janeiro, no primeiro governo de Garotinho.

Seus 500 dias de trabalho como sub-secretário de segurança pública virou obra publicada pela Companhia das Letras em que o antropólogo afirma que a referida fórmula tradicional não se tratava de uma política de segurança e sim da falta de uma política focada no assunto. João Moreira Salles lançou o documentário “Notícias de uma Guerra Particular” e estoura escandalosamente a Câmara dos Deputados em meio a CPI do Narcotráfico. Na obra, João mostra claramente a irracionalidade do sistema. Essas lembranças são oportunas para reforçar a idéia de que o movimento social pode contribuir muito com a mudança de realidades que, ao primeiro olhar, podem nos parecer perpétuas.

Para aqueles que vêm acompanhando o tema desde a década de 90 fica clara a contribuição das novas idéias que permeiam o território conceitual do aparelho estatal brasileiro. Hoje o tema volta à opinião pública com alguns conceitos integrados que garantem posições mais comprometidas com uma mudança do cenário caótico da Segurança Pública. As mudanças políticas implementadas no decorrer das duas gestões do governo Lula indicam avanços importantes. Entre eles destaca-se a implementação do Território da Paz. A idéia transpõe o conceito simplista da hipótese repressiva responsável pelo cordão sanitário entre ricos e pobres nos emaranhados urbanos das grandes cidades brasileiras.

No início deste mês, o Território da Paz iniciou um novo ciclo nas favelas do Complexo do Alemão. As ações de repressão estão casadas com obras de infra-estrutura do Programa de Aceleração do Crescimento e a determinação política de integrar todo o território no mapa estatal brasileiro. A proposta parece uma resposta direta aos fundadores do Comando Vermelho, que na obra de João Moreira Salles desnudam os planos que criaram a facção nas favelas do Rio. Nas falas do “Notícias de Uma Guerra Particular”, os criadores do Comando Vermelho estabelecem a política de ocupar todas as áreas abandonadas pelo Estado e reconhecem que o movimento se perdeu quando passou a operar o tráfico de drogas. Aos leitores que não assistiram o documentário, recomendo. A obra certamente contribui muito com uma leitura mais lúcida da realidade brasileira e as ações políticas que estão sendo implementadas em todo o território nacional.

19 de dezembro de 2008

Charles Scholl
Diretor de comunicação da Prefeitura de Esteio
falecomcharles@pop.com.br

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Estranhamentos à prática da democracia

Vivemos em um tempo de grandes mudanças políticas em que a democracia dá seus sinais de maturidade. Para a história política do Brasil as possibilidades de coligações e as normas eleitorais são tão distintas de suas tradições que soam como estranhas. As polarizações herdadas da guerra fria e suas adaptações tupiniquins se dissolvem em meio a outras lógicas políticas modernas de um pais democrático.

Para tornar mais evidente o contraste que vivemos neste tempo é fundamental recordar. Em dezembro de 1981, o senador Paulo Brossard ao chegar de sua viagem ao México, realizada no início daquele mês, denunciou o autoritarismo da Legislação eleitoral. “O projeto que “emporcalha” o País, concebido no Palácio do Planalto, prevê que os partidos só poderão concorrer se apresentarem chapas completas, com candidatos a governador, vice-governador, senador e suplentes, deputados federais e estaduais, prefeito, vice-prefeito e vereadores”. Ele reclamava ainda que as regras previam a anulação dos votos caso o eleitor escolher um único nome que seja de outro partido. Obviamente a manobra do Planalto, liderado pelo presidente Figueiredo, beneficiava o PDS. Com as regras o PP teve que fundir-se novamente com o PMDB.

Situações como essa forçavam a polarização entre os partidos dificultando a criação de novas identidades políticas ao tempo em que jogavam as propostas de governo para um segundo plano. Justamente no plano de governo é que se manifesta a virtude na política. Em 1998, acadêmicos analisavam e questionavam sobre a possibilidade da dispensa da virtude em um estado bem sucedido. Entre as reflexões, Catherin Colliot-Thélène da Fontenay Saint Cloud, chama a atenção que a democracia, segundo Montesquieu, tem como princípio a virtude. O fracasso da virtude, como lembra Montesquieu, tal como ocorreu na Inglaterra no século XVII comprometeu a democracia em seu país. Quando desaparece a virtude da república, a ambição se apodera daqueles cujo coração é capaz disso e a avareza de todos e que, em seguida, o Estado sendo tornado uma presa para todos, sua força reside apenas na potência de alguns indivíduos e na permissão de todos. Temos assim as bases do totalitarismo.

Habermas atribui a Hegel a inauguração da modernidade filosófica, pois foi Hegel quem pela primeira vez estabeleceu, na história do pensamento político, com toda a clareza, a distinção moderna entre Estado e sociedade civil. Obviamente não podemos dispensar o conceito de soberania de Bordin e de vontade geral de Russeau. Mesmo para a teoria Marxista, em seus desdobramentos práticos do Socialismo Real e a experiência do Leste Europeu, tais conceitos permaneceram impermeáveis. Dessas experiências que nos aproximamos quando dispensamos as possibilidades de unidade em torno de um projeto político, como denunciou Brossard em 81 no Brasil.
As amplas alianças em torno de um projeto político é a maturação prática da filosofia moderna aplicada. Diferentes correntes ideológicas firmam acordo e colocam em primeiro plano a virtude, ou melhor, o que acreditam ser o caminho mais adequado para o gerenciamento da coisa pública. Tal pensamento, que parece muito óbvio, encontra ainda forte rejeição entre operadores da política habituados com a lógica do bipolarismo mundial, que reinou no século passado durante a guerra fria. No novo contexto político que vivemos a sociedade civil organizada tem mais poderes sobre a composição do Estado que se dá pelos projetos políticos discutidos em suas bases partidárias. O Governo Lula nos mostra que a política se torna mais eficiente e virtuosa para a sociedade em composições mais amplas e plurais. O foco da atuação política não se limita a simples tomada do poder e sim no melhor caminho para o desenvolvimento social, político, econômico e ambiental de nossa civilização. Tal realidade bateu na porta dos milhares de eleitores no pleito deste ano. A decisão do voto, pelo prática adotada neste tempo, favorece o projeto que cada chapa tem para a cidade sem enfraquecer as legendas partidárias. Favorece a virtude e, portanto a democracia.

Charles Scholl
Diretor de Comunicação da Prefeitura de Esteio
falecomcharles@pop.com.br

Uma reflexão sobre os resultados das eleições 2008

Os resultados das eleições 2008 revelam mudanças significativas no eleitorado esteiense. A história que se construiu ao longo das eleições na cidade sempre apontou para um eleitorado com perfil conservador, pouco flexível às mudanças de nomes ou representantes.

A curiosidade na composição da nova Câmara de Vereadores está justamente na afirmação dos clãs ao tempo em se abrem espaços para novas propostas políticas no âmbito parlamentar. A Câmara de Vereadores é a porta de entrada para o futuro político da cidade. Com exceção da história política de Sandra Silveira, que não foi vereadora em Esteio, as tendências políticas vencedoras da cidade foram testadas e aprovadas na Câmara de Vereadores. Se é assim, cabe olhar com atenção esta composição e teremos condições de perceber quais são as tendências que estão se credenciando no seio do parlamento e que desenham os contornos mais possíveis de um futuro político.

Sirlon do PMDB mantém a liderança como o mais votado, com 1662 votos e se credencia pára vôos mais altos nas próximas eleições. O segundo mais votado é Luiz Duarte (PTB), com 1604 votos, que trocou de legenda partidária em seu último mandato e reelegeu-se entre os mais votados. A terceira mais votada é Jane Batistello (PTB), com 1257 votos, reforçando a organização política de Mário Sérgio Batistello que foi seu principal cabo eleitoral. Na mesma lógica, também inaugurando a tribuna está Felipe Costella (PMDB), que elegeu-se com 1198 votos, representante da família Costella e que teve como seu principal cabo eleitoral Juvir Costella. A quarta posição foi ocupada por Leo Dahmer, eleito com 1195 votos em sua primeira eleição, o mais votado do PT que representa uma renovação política na Câmara de Vereadores. O quinto lugar ficou com Marli do Posto de Saúde (PTB), eleita com 1190 votos, mantendo a participação da mulher entre os eleitos mais votados. Jaime da Rosa (PSB), reelegeu-se com 1169 votos, mais votado do PSB. O PPS elelgeu a Therezinha Diretora, com 1011 votos. Ari da Center elegeu-se pelo PSB com 875 votos e Michele Pereira, do PT, com 875 votos.

Charles Scholl
falecomcharles@pop.com.br

Stalin fecharia primeiro os pequenos jornais / 2008

A comunicação social sempre foi um entrave aos partidos de esquerda quando estão no governo. Os últimos 15 anos como comunicador junto ao PT me mostrou as várias faces da esquerda. Em um primeiro momento, as motivações de transformação social deveriam ser mediadas com todos os segmentos da sociedade, tal como faz o Governo Lula. Os aspectos políticos e ideológicos acabam servindo como um filtro em que toda a realidade deveria ser submetida.

A imagem dos governos de esquerda foi totalmente modificada com a chegada do PT à Presidência da República. Um grande salto de qualidade em políticas públicas arremessou a experiência petista para todas as civilizações do nosso tempo. Franklin Martins é a história viva de uma geração de comunicadores marcados pela ditadura militar. Essa ditadura de direita, pela integridade das idéias de liberdade defendidas por essa geração não foi substituída por uma ditadura de esquerda, tais como ocorreram no leste europeu.
Uma das primeiras categorias atacadas em um regime ditatorial é a dos jornalistas. Não podemos confundir, por exemplo, oligopólios de comunicação com a categoria. Os jornalistas também encontram-se submetidos às regras das grandes empresas de comunicação e isso tem sido a prática de censura mais eficiente nos dias de hoje.

As universidades possuem um molde profissional cada vez mais claro para os futuros jornalistas. As últimas reformas curriculares que tenho acompanhado estão privilegiando o mundo digital e suas interfaces comunicativas, porém esse movimento não acompanha a formação profissional de um empreendedor. Isso significa que o profissional de jornalismo é concebido, desde sua formação universitária, como um empregado de alguém. Sendo empregado, pode contar com liberdades profissionais, ou não.


A comunicação social é cada vez mais importante nos centros urbanos da nossa civilização. A tendência individualista faz com que os sujeitos desta sociedade interajam de forma indireta com a maioria das coisas que considera importante em sua vida. A interação ocorre por veículos de comunicação e por toda a indústria midiática. Essa realidade transferiu os debates públicos para esse meio, pois leremos no jornal, ouviremos na rádio ou assistiremos na televisão as notícias sem a necessidade de estarmos no local onde ocorreram os fatos.


Entre os jornais encontraremos o New York Times, que fala das notícias importantes para o reino e o poder; teremos a Folha de São Paulo, com um enfoque mais brasileiro sobre as questões do mundo; teremos a Zero Hora, com um enfoque gaudério do que se entende por realidade brasileira e teremos nossos jornais locais, tais como o Jornal Eco do Sinos, que privilegia o enfoque esteiense. Cada uma destas empresas possui, no mínimo, um concorrente em suas instâncias, pois poderíamos ter escolhido o Estado de São Paulo, o Correio do Povo e o Jornal Destaque para exemplificar a abrangência de cada veículo. Nesse sentido, lembro de uma das frases do Miguel Luz, na sua liderança frente a Associação dos Dirigentes dos Jornais do Interior (Adjori) em que dizia: “Os grandes jornais estão sempre presentes na cabeça das pessoas enquanto que os jornais municipais e comunitários tocam a população pelo coração”.
A cidade fica mais rica com seus veículos de comunicação. Os jornais, em Esteio, cumprem uma função de coesão social com importante repercussão na opinião pública. Eles criam uma espécie de “ágora de agora”, como disse o jovem esteiense Rodrigo Prux em seus devaneios comunicacionais. Esse espaço público é muito valorizado por aqueles que querem colocar suas idéias na praça, por aqueles que querem vender mais e aqueles que querem mostrar que são capazes de fazer algo para melhorar a qualidade de vida de todos.
Também existem aqueles que não querem o funcionamento de empresas desta natureza, tais como os ditadores de esquerda e direita.

Acreditam que o Poder Público não deve participar destes espaços. Isso significa dizer que o Poder Público não deve ir à praça defender suas idéias. Esta gestão da Prefeitura de Esteio mudou essa história pela valorização de sua imprensa local, apesar das contrariedades manifestas pelo PSB. Na gestão de Vanderlan a empresa de comunicação que mais recebeu recursos da Prefeitura de Esteio é de São Leopoldo. Também era a que mais poderia dar retorno para sua candidatura a deputado estadual. Então é fácil entender a lógica de explorar a mídia local para alcançar o poder na cidade e depois fomenta uma disputa contra seus antigos parceiros para alçar voos maiores. Tudo em nome do Poder Público, mas em defesa de seus interesses particulares. Recentemente um documento do PSB cita, em tom de acusação, o Jornal Eco do Sinos por fazer parte dos jornais qualificados às campanhas institucionais da Prefeitura de Esteio. Cabe destacar que todos os jornais com mais de 20 anos de funcionamento na cidade integram as campanhas institucionais da Prefeitura. Tanto pelo tempo de trabalho na praça, como pela valorização e respeito dos poderes constituídos com os leitores dos jornais locais.

Charles Scholl
falecomcharles@pop.com.br

Uma resposta à declaração de guerra / 1° semestre 2008

A política na cidade está fervilhando. Existem basicamente dois grupos de políticos em ação. Um deles está completamente absorto na tarefa de encontrar alternativas à cidade. Outro, na falta de propostas de políticas públicas, fica voltado aos subterfúgios de toda sorte para se desviar da imagem da incompetência.  Em 1992 Vanderlan, do PSB, perdeu as eleições para Getúlio Fontoura, do PDT, coligado com o PSDB representado pelo Getulinho Figueiredo. Neste tempo, o comportamento político do eleitorado esteiense sofria fortes influências da era pedetista de Clodovino Soares.
O Pio Germano representava o PMDB e ficou em terceiro lugar. O PT ocupava a quarta posição representado por Luiz Duarte. Muitos dos sujeitos da política neste tempo permanecem atuantes, militando, na sua maioria em partidos diferentes.

Nas eleições de 96, a coligação PSB, representada por Vanderlan, e PT, representada por Gilmar Rinaldi foi vencedora. Esse episódio de nossa política local ocorreu sobre o ícone da liberdade e do rompimento. O espírito da mudança e da renovação pairou sobre a cidade e unificou os esteienses em um gesto de mudança. Nesse tempo eu editava o Jornal Eco do Sinos, que por conta de seu conteúdo, tinha problemas com a Administração Municipal. A cidade estava virada num caos e o jornal não podia calar. As comunidades eram sistematicamente bombardeadas em manobras políticas que tinham por objetivo desmobilizar qualquer grito social que pudesse soar dissonante.

Dadas as circunstâncias políticas deste período, como editor do Jornal Eco do Sinos tomei a posição de ignorar completamente as ameaças que recebia. O número de assinantes do jornal aumentou significativamente, evento que só voltou a ocorrer em 2007. Sem alardes sobre a massiva circulação, o jornal dialogava com a cidade. Como interlocutor legítimo nesta relação, relacionava-me com todas as lideranças políticas. Ocorre que Getúlio Fontoura acabou em uma situação que rompeu completamente os vínculos com o
jornal. Relatos trazidos por militantes pedetistas afirmavam que ele tinha declarado guerra.

Nestes tempos difíceis tive muitos apoios. O mais importante foi a
contribuição intelectual de Vanderlan, que me nutriu espaços do jornal constituindo uma trama que desestabilizou o governo de Getúlio. Isso contribuiu muito com a vitória, mas é óbvio que não seria suficiente. Ao tempo em que o jornal se ocupava com o aprofundamento de informações importantes para a opinião pública, o Partido dos Trabalhadores construiu os eixos básicos de governo para a superação da crise financeira que se abatia sobre o Paço Municipal. A vitória então estava anunciada.

Nesta síntese grosseira de nossa história política recente, percebemos os motivos de sua atual efervescência. Lembrei esta semana destes episódios quando minha mãe, que dirige o Jornal Eco do Sinos, passou a sofrer ataques. Desta vez eles não partem das organizações de Getúlio Fontoura, mas de um dos atores da política local que, enquanto dirigia o jornal antes do meu desligamento ocorrido no final de 96, fazia parte das nossas relações mais próximas. Suas práticas continuam as mesmas, porém acredito
que as pessoas amadureceram politicamente e não cairão nas manobras para desviar o foco sobre o que realmente interessa para todos, ou seja, as melhores políticas públicas.  Hoje não represento o Jornal Eco do Sinos e por isso me sinto a vontade para declarar minha coerência política em favor daqueles que permanecem construindo as melhores alternativas para nossa cidade.  Minha recomendação ao Jornal, como membro nato de seu conselho editorial, é a seguinte: Não se calem perante os ataques, temos a responsabilidade de contribuir com a opinião pública e não devemos medir esforços para que esse trabalho tenha a melhor qualidade.

Charles Scholl
falecomcharles@pop.com.br