quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
Matéria importante no Sul 21 sobre os desdobramentos dos projetos de Alvorada
https://www.sul21.com.br/jornal/em-processo-de-extincao-metroplan-administra-rdollar-258-milhoes-em-recursos-contra-cheias/
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
INSTRUMENTOS MUSICAIS, UM MEIO PARA ENCANTAR O AMBIENTE
Charles Scholl
O
presente artigo tem por objetivo decantar as experiências obtidas em todas as
etapas da produção do Plano de Aula que culminou em um seminário com a
apresentação do respectivo plano. Participei do Grupo 10, do Polo Esteio, que
teve como tema o Meio Ambiente. Após vencer os desafios pertinentes aos
trabalhos em grupo composto por pessoas com vidas, horários e cotidianos
distintos, selecionamos um tema específico que uniria música, arte, trabalhos
manuais, ressignificação do termo lixo, teorias de sustentabilidade em torno de
um novo olhar sobre o meio ambiente.
Nosso
plano de aula tratou da reciclagem utilizando a música como fator motivador. O
grupo dividiu a tarefa em capítulos e me coube apresentar o oitavo, que tratava
da metodologia. No entanto, penso que é fundamental ingressar no
desenvolvimento do tema proposto para que seja possível trazer às palavras algo
mais próximo da real experiência decorrente desta tarefa acadêmica.
Em
que contexto podemos compreender a ideia de meio ambiente atualmente? Responder
a essa questão foi meu primeiro passo, já que as literaturas presentes nos
temas transversais poderiam ser consideradas superficiais diante da abordagem
escolhida pelo grupo. Os conteúdos presentes na cartilha Parâmetros
Curriculares Nacionais – Meio Ambiente, disponibilizada pelo portal do
Ministério da Educação, justificam a importância do tema e os desafios de
trata-los em sala de aula. Neste espaço se ancora a grande tarefa de mudar
hábitos por meio da transmissão de conhecimentos e vivências, que venham a
contribuir para uma nova geração de pessoas conscientes de suas
responsabilidades com o meio ambiente.
Aferir
um processo educativo com pretensões de mudança comportamental seduziu-me a
extrapolar para outras literaturas. Em virtude da atual formação acadêmica, a
opção pela filosofia foi irresistível, principalmente com as liberdades
pertinentes a calouros em seu primeiro semestre. A ecosofia, um neologismo
criado por Félix Guattari, autor da obra As Três Ecologias, me pareceu a melhor
abordagem teórica para dar conta dos desafios. Já que para intervir em padrões
comportamentais consolidados é preciso desconstruir e ressignificar valores em
todas as relações da intervenção humana. A obra “As três ecologias” sugere, em
síntese, uma forma de organizar nossa relação com o meio ambiente pela
perspectiva do comportamento. Ela parte da relação ecológica que o ser tem com
seu ambiente mental e sugere uma revisão sobre os hábitos pessoais. Em um
segundo momento o ambiente social em que essa pessoa está inserida também é
objeto de análise e revisões de hábitos sociais. A terceira ecologia é a
relação deste ser com o meio ambiente que vive. Desta fase é que surge a ideia
da sustentabilidade. Com isso, resolvemos a questão dos conteúdos, como podem
ser organizados e o princípio da ideia de ressignificação do conceito de lixo,
ao utilizar materiais que normalmente são descartados e transforma-los em
brinquedos sonoros, ou instrumentos musicais.
Além
do conteúdo programático ofertado por Félix Gattarri, a ideia de utilizar a
música favorece o desenvolvimento cognitivo, como afirma a professora doutora
Elvira Sousa Lima: “Há evidências de que a apropriação da sintaxe musical tem
impacto positivo na sintaxe linguística e em outros domínios da cognição” (LIMA,
Elvira. Cérebro Musical. Revista Presença
Pedagógica, São Paulo, edição nº95, setembro/outubro 2010).
Desde
Emilio, ou da Educação, de Jean-Jacques Rousseau, podemos compreender com mais
clareza a moderna pedagogia. Trata-se do pressuposto de que a aula a ser dada
deve, por princípio, ser agradável e interessante ao estudante. A educação não
deve ser algo odioso ou um castigo, como ocorriam com os educadores jesuítas
muito criticados por Rousseau. Esses conteúdos seriam suficientes para embasar
o Plano de Aula em questão, além de constituir a etapa mais educativa deste
trabalho em grupo.
Referências:
GUATTARI,
Felix. As três ecologias. 20ª ed. Trad. Maria Cristina F. Bittencourt. Campinas:
Papirus, 2009, 56p.
ROUSSEAU,
Jean-Jacques. Emílio, ou da educação. 1ª ed. Trad. Laurent de Saes. São
Paulo: Edipro, 2017, 560p.
Ministério da Educação (MEC). Secretaria de
Educação Fundamental (SEF). Parâmetros Curriculares Nacionais:
apresentação dos temas transversais, Meio Ambiente. Brasília, DF: MEC/SEF,
1997b.
LIMA,
Elvira. Cérebro Musical. Revista Presença
Pedagógica, São Paulo, edição nº95, setembro/outubro 2010.
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
O Galinhão!!! Uma história de Natal....
![]() |
| Na virada com minha mãe, meu irmão e o Alex |
Essa fotonovela é o registro deste Natal de 2017, que
começou com a virada que passei com minha mãe, meu irmão e o Alex, que topou
assar o churrasco. Tinha concluído as últimas publicações nas redes sociais que
administro e saí do Vitória Régia, condomínio popular onde moro, para o
condomínio ao lado, Morada de Esteio I, outro condomínio popular onde minha mãe
mora com meu irmão. Ao final da janta nosso protagonista principal entra em
cena, chamado pela minha mãe de chester.
Ela relatava que faria o chester na panela, meu irmão
contestava dizendo que devia fazer no espeto com papel alumínio e diante do
impasse ninguém fez o chester. Na hora de ir para casa eu me ofereci para assar
o chester, que até aquele momento não tinha a menor ideia do que se tratava. Eu
via chester escrito nas propagandas e sendo pronunciado por muitas pessoas, mas
nunca tinha visto um chester vivo. Seria o que isso? Decidi perguntar. As
respostas abriram um leque tão diverso que poderia enquadrar o chester até como
um anfíbio, mamífero, que daria inveja as aptidões adaptativas do ornitorrinco.
Eis que me largaram uma sacola plástica com o chester dentro
e o levei naquela noite para minha casa. Ele chegou e fez uma bagunça na
geladeira. Escorreu um líquido amarelado com sangue que se espalhou por tudo.
Percebi só pela manhã de Natal. Ao acordar pensei em assar o chester, mas não
tinha ideia de como fazer isso. Primeiro queria conhecer o chester, abrir o
pacote e quem sabe ter que tirar seu rabo, escamas, ou penas. Ao abrir percebi
que conhecia chester, então fui ler a embalagem. Era um Fiesta Sadia, ou seja,
um galinhão. Isso eu sei fazer.
Iniciei a tarefa pela manhã, besuntei e achei uma forma
criativa de prender as coxas. Depois foi para o papel alumínio e forno por uma
hora e meia em 200 graus. Depois desliguei e saí em busca da Ingrid. Logo
retornamos para casa e reassumi a tarefa de assar o galinhão. Ele já estava
cozido, mas precisava dar aquela douradinha. Quando ficou pronto postei uma
foto e mostrei para minha mãe o feito e ela me pediu para levar em sua casa.
Eu e a Ingrid fomos levar o galinhão já pronto, assado,
dourado e com um aroma de deixar água na boca. Logo que chegamos na casa da
minha mãe foi uma emoção só. Agora não falo do galinhão, mas da minha filha e ela
que não se viam por mais de cinco anos. Viva o galinhão e um feliz natal para
todos e todas.
domingo, 17 de dezembro de 2017
Origem. De onde vem a motivação?
A ideia da origem motivacional da filosofia é algo que pode
remontar uma prática de pensar o pensamento, o que leva a pessoa a tomar tais
posturas e o que de fato emana das profundezas da alma humana. Por apreço
pessoal, abordo as motivações presentes e manifestas nos filósofos Platão e
Aristóteles. Seu modo de pensar clássico, que valoriza a admiração, permite
melhor compreensão sobre o tema, tendo em vista a complexidade que se agrega em
torno dos filósofos seguintes, como Epicuro e Augostinho, que compreendem a
busca da felicidade como força motriz para a filosofia. Ou, Descartes, que
compreende a dúvida sistemática como a origem motivacional, até mesmo Karl
Jaspers que agrega a experiência dos limites e o amor tornando algo ainda mais
complexo.
Para Platão a origem motivacional da filosofia está na
capacidade que a pessoa tem de se admirar com a existência. Pois para que a
pessoa possa se admirar com algo é preciso a humildade de reconhecer que não
sabe e alguma motivação que lhe arranca da ignorância e lhe leva em busca do
saber. Então, suas origens motivacionais apontam que o filósofo está entre os
sábios e ignorantes. Os sábios já não se admiram diante de seu conhecimento. Os
ignorantes também não se admiram por nada saber. A escolha do filósofo é permanecer
no meio destes dois extremos, já que o filósofo não se cansa de admirar e isso
lhe motiva a pensar. Como lembra Aristóteles, quem experimenta a dúvida e a
admiração reconhece que não sabe.
Já pensou suas origens motivacionais? Lhe dou um motivo para isso, conhece-te a ti mesmo, diria Sócrates.
sábado, 16 de dezembro de 2017
De Tales a Platão, um suspiro sobre o pensamento no mundo antigo
Já
nas primeiras notícias que temos sobre a vida humana em comunidade estão
presentes questionamentos sobre as coisas do mundo e o nosso lugar nele. Nos
primórdios, as respostas se davam por preceitos religiosos, ações dos deuses
que eram informadas por lendas, entre outras formas de transmissão de
conhecimento pela imitação. As histórias míticas tinham que dar conta das
respostas para toda a estrutura que resulta do processo de constituição da
civilização humana. O mito tinha papel fundamental na transmissão de saberes,
já que uma de suas características é a certeza do fato e uma ideia absoluta sobre
as coisas. Mitos são inquestionáveis, pois são a verdade posta aos mortais.
Mas, por volta do ano 600 A. C. uma nova forma de se portar com o mundo
emergia. Mais precisamente em 624 A.C. nascia em Mileto o filósofo Tales, que
ao longo de sua vida se insurgiu as formas míticas de se relacionar com o mundo
e optou pela razão. Por conta dessa mudança Tale de Mileto é considerado o
primeiro filósofo, aquele que inaugura o princípio da filosofia.
A
utilização da razão para investigar a natureza e as coisas do universo,
presente no pensamento de Tales de Mileto nos coloca sobre outras perspectivas.
Uma delas é que a mitologia valoriza as respostas decoradas e passadas de
geração para geração em que os conceitos são subjetivos e imutáveis. Já a
filosofia valoriza o questionamento acerca das coisas mais do que as próprias
respostas. Ao longo de sua vida, Tales utilizou a razão para investigar as
coisas do universo e animou muitas outras pessoas a fazerem o mesmo.
Para
Tales de Milteto a matéria prima do cosmos é a água. Suas deduções resultam da
ideia que da água tudo pode ser formado, é essencial à vida, capaz de se mover
e é capaz de mudar. Já para seu discípulo Anaximandro (610/ 547 A.C.), afirmava
que o princípio de todas as coisas é o Ápeiron, algo que pode ser compreendido
hoje como ilimitado. Esse Ápeiron constitui a base de uma massa infinita que
forma o cosmos e todas as coisas. Esse pensamento foi novamente questionado
pelo seu sucessor Anaxímenes (588 / 524 A.C.), que acreditava que a origem de
todas as coisas era o ar e dele se formavam todos os elementos do universo. Outro
filósofo deste período pré-socrático, também da Escola de Milteto é Pitágoras
(570 / 495 A.C.). Para Pitágoras o número é o regente das formas e ideias. Esses
filósofos Milesianos explicam a natureza das coisas a partir de um elemento, no
entanto os seguidores de Pitágoras buscavam a partir dos números explicar todas
as coisas. Para Pitágoras o destino controla o todo e a parte.
Logo
em seguida temos Heráclito de Éfaso(535-475 A.C.) e Parmênedes(515-445 A.C.),
da Escola Eleática. Heráclito manifesta de forma óbvia seu debruçar sobre os
aspectos intuitivos, valorizando as relações sensitivas. Heráclito valorizava
percepção humana sobre o mundo, por seus sentidos naturais. A tese sustentada
por Heráclito fala de um mundo em constante transformação e movimento. As
consequências deste pensamento coloca seu protagonista, Heráclito, em franco
confronto com a Escola Eleática, que muitas vezes fundamenta seus pontos de
vista tomando os preceitos filosóficos sustentados por Heráclito como
referência, com objetivo claro de contrapor e desconstituir os argumentos de
sustentação de suas ideias. O pensamento de Heráclito ficou conhecido pela
frase “ninguém se banha duas vezes no mesmo rio”. Por essas perspectivas se
colocava contrário aos filósofos da Escola de Mileto, que defendiam as coisas
pela sua essência, algo que se perdia com a ideia de movimento de Heráclito.
Para ele tudo está em constante movimento e mudança, em permanente estado de fluxo.
Ao tempo que Parmênides debruçava força na razão, que os sentidos do corpo
humano nos enganam e pela razão encontramos a verdade. A partir da premissa de
que algo existe, no caso o “Ser”, Parmêndes concluiu que esse algo não poderia
também não existir, no caso o “Não Ser”. Muito influenciado pela lógica de
Pitágoras, Parmênides deduz que é impossível existir o vazio. Assim, o algo não
pode surgir do nada, pois sempre existiu alguma coisa, de alguma forma. Uma
visão estática que afirma que existe algo de permanente, portando com ausência
de movimento. Uma clássica relação de antagonismo entre o movimento de
Heráclito e a estática de Parmênides. Para
Zenão de Eleia, discípulo de Parmênides, a ideia de percurso é uma ilusão. Cita
como exemplo uma linha imaginária de movimento entre o ponto A e B. No entanto,
Zenão afirma que existe um meio termo entre A e B. Este meio intervalo, por sua
vez, possui também um meio intervalo e assim sucessivamente até o infinito. Essa
é uma das formas como Zenão afirma a impossibilidade da existência do
movimento. Essa ideia de movimento que percebemos é uma mentira produzida pelos
nossos sentidos que nos enganam. A verdade só é possível de ser percebida pela
razão, que pode lhe mostrar o que não muda.
Os
físicos posteriores acabam estudando as ideias contrapostas de Heráclito e
Parmênides e nos seu conjunto inauguram o atomismo, que teoriza que a natureza
se constitui de dois princípios fundamentais o átomo e o vazio. Nesse movimento
temos Empédocles de Agrigento (490 – 430 A.C.), que afirma que o fogo, a terra,
a água e o ar não mudam, por serem a base da existência. O que provoca mudanças
são outros dois elementos. O amor, que provoca a união e a criação das coisas e
a discórdia que desune e desfaz. Anaxágoras de Clazômenas (500 – 428 A.C)
sustenta que todas as coisas estavam estáticas até que a inteligência as
ordenou e criou todas as coisas. Nesse sentido ele sustenta que as Homeomerias
estão presentes em todos os corpos e assim permanecem apesar das mudanças.
Permanecem apenas as coisas elementares como o ouro, o fogo, a terra, o ar. O
movimento se dá pela agregação e desagregação das Homeomerias. E o período é
coroado com Demócrito de Abdera (460 – 370 A.C.), que sustenta que todas as
coisas são formadas de minúsculas partículas invisíveis e indivisíveis as quais
denominou de átomo. Para Demócrito o átomo só é possível de ser compreendido
pela inteligência. Ele distinguia o conhecimento em dois grupos: o inteligível,
único que possui legitimidade por saber que tudo é constituído de átomos e
vazio; e o sensível, que carece de credibilidade e validade no que tangem ao
conhecimento da verdade.
Um
dos discípulos de Demócrito foi Protágoras de Abdera (498 – 421 A.C), um dos
fundadores da escola sofística. Ao afirmar que “o homem é a medida de todas as
coisa, das que são pelo que são, das que não são pelo que são”, Protágoras
demonstra seu ponto de vista antropocentrista. Essa abordagem produz um
relativismo do conhecimento, na medida que cada pessoa o possuiria por suas
perspectivas. É a ideia de que cada ponto de vista é a vista de um ponto é
levada a sério de forma radical por Protágoras. Então para ele as perspectivas
diferentes aferem verdades distintas. Bom, por grande responsabilidade de Platão
e Sócrates, os sofistas foram muito criticados por vender o conhecimento, ao
cobrar em dinheiro pelas aulas. Por outro lado, existem releituras que buscam
valorizar as virtudes destes pensadores. No caso de Protágoras, é reconhecido
por defender um ensino em que a educação permite excelência em todas virtudes
políticas. Além da boa retórica, o pensamento de Protágoras produz um
relativismo das verdades e um ceticismo epistemológico, quando afirma a
impossibilidade de se manifestar sobre os deuses.
Já
Górgias de Leontini(485 – 380ª.C.), considerado o inventor da retórica e autor
de obras como Elogio a Helena, A defesa de Palamede, Do não ser, ou da
natureza. Seu pensamento contraria Parmênides e a Escola Eleástica. Bom, falar sobre o nihilismo epistêmico de
Górgias requer um pouco de esforço e imaginação. Em um primeiro momento ele
afirma que nada existe. Mesmo que existisse qualquer coisa, o homem não pode
apreendê-la, não podemos formulá-la nem comunica-la aos outros. Não existe o
ser, assim como não existe o não ser e menos ainda o ser e o não ser. Ele
justifica que se o não ser existe, ele pode existir ou pode não existir ao
mesmo tempo. O que seria estranho. Por óbvio o não ser não existe. Simples
assim.
Para
tratar do ser e a afirmação de Górgias de que o ser não existe, temos que
compreender que ele seria eterno ou engendrado, ou as duas coisas. Se é eterno
ele não foi gerado, se não foi gerado não existe. Mas tudo que foi engendrado
teve um começo, enquanto o que é eterno não pode ser inventado, mesmo de
maneira criativa, pois existiria desde sempre, e seria, portanto, ilimitado, e
o que é ilimitado não e encontra em nenhuma parte: se está em um lugar, esse
lugar é outro do que ele, estando abarcado por outra coisa. Se assim for, não é
ilimitado. Isso não faz sentido, pois se é eterno é ilimitado; se é ilimitado,
não está em parte alguma, se não está em parte alguma, ele não existe. O ser
não existe, pois não é eterno, nem engendrado, nem os dois ao mesmo tempo.
Essas são as bases para Górgias afirmar que nada existe, e se existisse, seria
não cognoscível ou mesmo não passível de ser concebido pelos homens. E em um
ataque direto a Parmênides e aos Eleatas, Górgias afirma que não há a homologia
entre pensar e ser, pois o ser não pode ser objeto de pensamento.
Mas
o conflito entre Physis e Nomos, talvez, consiga trazer uma perspectiva do que
foram os sofistas. O tema da justiça entre Physis (Natureza) e Nomos (lei), sob
o ponto de vista de três sofistas: Trasímaco, Cálicles e Antifonte. O
Transímaco sustentava que a justiça é o que convém ao mais poderoso, pois são
eles que legislam e fazem as leis. O Cálicles demarcava em favor de Physis ao
afirmar que o direito positivado tem a função de usurpar o que pertence, em
função de sua superioridade evidente o direito fundado na natureza, que tem, em
si, a condição de impor, sem restrições, seus desejos. Por aí ele conclui que a
lei e a natureza se contradizem. O Antifonte, por um lado defende as normas
positivadas, mas faz menção a importância fundamental da Physis, que impera se
a pessoa está ausente de sua comunidade, sugerindo que a justiça se justifica
nas relações sociais, mas não na solidão, quando o homem está só estará sob a
lei da natureza. As demais resultam de acordo e constituem o Nomos, as que são
naturais dispensam acordos, pois são necessárias.
Essa
perspectiva de filosofar sobre as coisas do mundo natural são brutalmente
modificadas a partir de Sócrates de Atenas (470-69 – 399 A.C.). Ele traz a
discussão do ser humano para o centro do cosmos. Afirma que o conhecimento é
interno, vem do interior da pessoa. Nesse sentido tem uma máxima que afirma
“conhece-te a ti mesmo”. O conhecimento se desenvolve internamente, por meio
das virtudes. E Sócrates ainda sustentava que uma pessoa que possuía uma
virtude compreenderia a justiça, a temperança, a coragem e a prudência, que
constituem as quatro virtudes cardeais.
A
moralidade de Sócrates valoriza o conhecimento como uma virtude do bem. Ele não
acredita que possa existir conflito entre paixão e razão. Nesse sentido, que
faz o bem é uma pessoa esclarecida e sábia, que manifesta em suas ações o
conhecimento. Quem age mal, demonstra não ter compreendido algo, ter ignorado a
verdade e quem faz isso sistematicamente é um ignorante.
Sócrates
não escreveu nada, tudo que sabemos dele são relatos de seus discípulo, entre
eles Platão. Seu conhecimento era passado em diálogos que poderiam acontecer em
qualquer lugar, com qualquer pessoa. O filósofo desenvolveu um método dialético
que consistia em afirmar que sabe que nada sabe. A irônica frase servia como
uma abertura de portas para que seu interlocutor pudesse se envaidecer de seus
conhecimentos e apresentar suas ideias. Logo em seguida Sócrates destacava as
imperfeições do pensamento em uma lógica de refutação e valorizava as ideias
que lhe faziam sentido. A conclusão partia com a convicção de que o resultado do
diálogo e o aprendizado havia brotado de dentro dele mesmo e que Sócrates havia
ajudado a encontrar. Sócrates chamava esse método de Maieutica, um tipo de
parto de ideias, que faz referência a mãe do filósofo que era parteira. Ao
consultar o Oráculo de Delfos, Sócrates questionou quem é o homem mais sábio do
mundo? A resposta apontou para ele e a ironia está em o homem mais sábio do
mundo afirmar que nada sabe. No entanto, Sócrates foi condenado à morte por
corromper jovens, não acreditar nos costumes gregos e de unir-se a deusas
malignos que gostam de destruir as cidades.
Com
a morte de Sócrates, seu discípulo Platão (472 / 347 A.C.) tomou para si a
tarefa de redigir o conhecimento que tinha aprendido com seu mestre. A primeira
obra foi Apologia, que se constitui de um relato da defesa de Sócrates em seu
julgamento. Platão, assim como Sócrates, procura buscar definições de valores
morais abstratos, como justiça ou virtude. Também, em seus trabalhos busca
demarcar sua contrariedade as ideias de Protágoras e o seu relativismo. Com o
objetivo de explicar seu mundo de formas e ideias perfeitas, Platão usa a
teoria do mito da caverna, na qual o conhecimento sobre o mundo é limitado a
sombras da realidade. A compreensão do conhecimento para Platão passa pela
alegoria do sol em que temos o mundo visível e o mundo inteligível. O que
representa o sol no mundo visível, é a ideia do bem no mundo inteligível. O que
é a luz no mundo sensível; representa a verdade no mundo inteligível. O são
objetos da visão, tais como as cores, no mundo visível; são objetos do
conhecimento no mundo inteligível, tais como as ideias. Os níveis de
conhecimento para Platão são apresentados na Alegoria da Linha, que também faz
a distinção entre o mundo visível e o mundo inteligível. O mundo inteligível é
regido pela EPISTEME, que pode ser compreendida como ciência, acompanhado da NOESES,
que representa a intelecção e DIANOIA, que representa a abstração. Já o mundo
sensível é regido pela DOXA, compreendida como opinião; que vem acompanhada da
PISTIS, que faz referência às crenças e EIKASIA, que significa imaginação. O
mito da caverna apresenta essas ideias e valores a partir da história das
pessoas que passam a vida a observar sombras da realidade. Algumas dessas
pessoas, num repente, despertaram ao ponto de virarem-se em direção a luz,
passando pela fogueira e indo até a abertura da caverna onde vê pela primeira
vez a luz do sol e todas as coisas como realmente são. Ao contemplar a imagem
da verdade a pessoa decide retornar à caverna para alertar os demais sobre essa
realidade, no entanto não é compreendido. Com isso Platão apresenta o papel do
filósofo na sociedade, assim como uma estrutura filosófica de pensamento que
permeia nossos costumes, muito presentes em nossa Nomos até os dias de hoje.
Filosofia sofística e a de Sócrates
A filosofia
sofística e Sócrates protagonizaram alguns dos principais pensamentos da idade
antiga. Como os demais pré-socráticos, os sofistas se dedicavam a filosofar
sobre as coisas da natureza em um esforço de compreender do que são feitas as
coisa e se elas de fato foram feitas ou sempre existiram. Já Sócrates remete o
foco da filosofia para as questões da pessoa humana ao acreditar que o
conhecimento está no interior de cada um, algo que fica evidente em sua célebre
frase “conhece-te a ti mesmo”. No
entanto, para avançar um pouco mais é preciso compreender alguns sofistas, seus
pensamentos e algumas reflexões sobre a Physis e Nomos e os contrastes que
podemos perceber com a mudança de foco da filosofia promovida por Sócrates.
Iniciamos por Protágoras
de Abdera (498 – 421 A.C), o cara da desconstrução. Ao afirmar que “o homem é a
medida de todas as coisa, das que são pelo que são, das que não são pelo que
são”, Protágoras demonstra seu ponto de vista antropocentrista. Essa abordagem
produz um relativismo do conhecimento, na medida que cada pessoa o possuiria
por suas perspectivas. É a ideia de que cada ponto de vista é a vista de um
ponto é levada a sério de forma radical por Protágoras. Então para ele as perspectivas
diferentes aferem verdades distintas. Bom, por grande responsabilidade de
Platão e Sócrates, os sofistas foram muito criticados por vender o
conhecimento, ao cobrar em dinheiro pelas aulas. Por outro lado, existem
releituras que buscam valorizar as virtudes destes pensadores. No caso de
Protágoras, é reconhecido por defender um ensino em que a educação permite
excelência em todas virtudes políticas. Além da boa retórica, o pensamento de
Protágoras produz um relativismo das verdades e um ceticismo epistemológico,
quando afirma a impossibilidade de se manifestar sobre os deuses.
Já Górgias de
Leontini(485 – 380ª.C.), considerado o inventor da retórica e autor de obras
como Elogio a Helena, A defesa de Palamede, Do não ser, ou da natureza. Seu
pensamento contraria Parmênides e a Escola Eleástica. Bom, falar sobre o nihilismo epistêmico de
Górgias requer um pouco de esforço e imaginação. Em um primeiro momento ele
afirma que nada existe. Mesmo que existisse qualquer coisa, o homem não pode
apreendê-la, não podemos formulá-la nem comunica-la aos outros. Não existe o
ser, assim como não existe o não ser e menos ainda o ser e o não ser. Ele
justifica que se o não ser existe, ele pode existir ao pode não existir ao
mesmo tempo. O que seria estranho. Por óbvio o não ser não existe. Simples
assim.
Mas o conflito
entre Physis e Nomos, talvez, consiga trazer uma perspectiva do que foram os
sofistas. O tema da justiça entre physis (Natureza) e Nomos (lei), sob o ponto
de vista de três sofistas: Trasímaco, Cálicles e Antifonte. O Transímaco
sustentava que a justiça é o que convém ao mais poderoso, pois são eles que
legislam e fazem as leis. O Cálicles demarcava em favor de physis ao afirmar
que o direito positivado tem a função de usurpar o que pertence, em função de
sua superioridade evidente o direito fundado na natureza, que tem, em si, a
condição de impor, sem restrições, seus desejos. Por aí ele conclui que a lei e
a natureza se contradizem. O Antifonte, por um lado defende as normas
positivadas, mas faz menção a importância fundamental da Physis, que impera se
a pessoa está ausente de sua comunidade, sugerindo que a justiça se justifica
nas relações sociais, mas não na solidão, quando o homem está só estará sob a
lei da natureza. As demais resultam de acordo e constituem o Nomos, as que são
naturais dispensam acordos, pois são necessárias.
Essa
perspectiva de filosofar sobre as coisas do mundo natural são brutalmente
modificadas a partir de Sócrates de Atenas (470-69 – 399 A.C.). Ele traz a
discussão do ser humano para dentro do cosmos. Afirma que o conhecimento é
interno, vem do interior da pessoa. Nesse sentido tem uma máxima que afirma
“conhece-te a ti mesmo”. O conhecimento se desenvolve internamente, por meio
das virtudes. E Sócrates ainda sustentava que uma pessoa que possuía uma
virtude tinha compreenderia a justiça, a temperança, a coragem e a prudência,
que constituem as quatro virtudes cardeais.
A moralidade de
Sócrates valoriza o conhecimento como uma virtude do bem. Ele não acredita que
possa existir conflito entre paixão e razão. Nesse sentido, que faz o bem é uma
pessoa esclarecida e sábia, que manifesta em suas ações o conhecimento. Quem age
mal, demonstra não ter compreendido algo, ter ignorado a verdade e quem faz
isso sistematicamente é um ignorante. O filósofo desenvolveu um método
dialético que consistia em afirmar que sabe que nada sabe. A irônica frase
servia como uma abertura de portas para que seu interlocutor pudesse se
envaidecer de seus conhecimentos e apresentar suas ideias. Logo em seguida
Sócrates destacava as imperfeições do pensamento em uma lógica de refutação e
valorizava as ideias que lhe faziam sentido. A conclusão partia com a convicção
de que o resultado do diálogo e o aprendizado havia brotado de dentro dele
mesmo e que Sócrates havia ajudado a encontrar. Sócrates chamava esse método de
Maieutica, um tipo de parto de ideias, que faz referência a mãe do filósofo que
era parteira.
Heráclito e Parmênides, a relação
Para compreender o período dos
sofistas e de Sócrates, com alguma profundidade, é importante conhecer o
pensamento de Heráclito de Éfaso(535-475 A.C.) e Parmênedes(515-445 A.C.), da
Escola Eleática. Heráclito manifesta de forma óbvia seu debruçar sobre os
aspectos intuitivos, valorizando as relações sensitivas do homem observador da
natureza. Heráclito valorizava percepção humana sobre o mundo, por seus
sentidos naturais. A tese sustentada por Heráclito fala de um mundo em
constante transformação e movimento. As consequências deste pensamento coloca
Heráclito em franco confronto com a Escola Eleática, que muitas vezes
fundamenta seus pontos de vista tomando os preceitos filosóficos sustentados
por Heráclito como referência, com objetivo claro de contrapor e desconstituir
os argumentos de sustentação de suas perspectivas e ideias sobre a natureza das
coisas do mundo. Seguindo por esse
caminho, por essa perspectiva, tomaremos uma evidente rota de colisão com Parmênides.
No encontro de ideias, eis a relação. Claro, uma relação de contraste de
ideias, mas ainda uma relação.
O pensamento de Heráclito ficou
conhecido pela frase “ninguém se banha duas vezes no mesmo rio”. Por essas
perspectivas se colocava contrário aos filósofos da Escola de Mileto, que
defendiam as coisas pela sua essência, algo que se perdia com a ideia de
movimento de Heráclito. Para ele tudo está em constante movimento e mudança, em
permanente estado de fluxo. Ao tempo que Parmênides debruçava força na razão, que
os sentidos do corpo humano nos enganam e pela razão encontramos a verdade. A
partir da premissa de que algo existe, no caso o “Ser”, Parmêndes concluiu que
esse algo não poderia também não existir, no caso o “Não Ser”. Muito
influenciado pela lógica de Pitágoras, Parmênides deduz que é impossível
existir o vazio. Assim, o algo não pode surgir do nada, pois sempre existiu
alguma coisa, de alguma forma. Uma visão estática que afirma que existe algo de
permanente, portando com ausência de movimento. Uma clássica relação de
antagonismo entre o movimento de Heráclito e a estática de Parmênides.
Para ingressar na proposta da tarefa,
iniciamos a apresentação dos sofistas por Protágoras de Abdera (498 – 421 A.C),
o cara da desconstrução. Ao afirmar que “o homem é a medida de todas as coisa,
das que são pelo que são, das que não são pelo que são”, Protágoras demonstra
seu ponto de vista antropocentrista. Essa abordagem produz um relativismo do conhecimento,
na medida que cada pessoa o possuiria por suas perspectivas. É a ideia de que
cada ponto de vista é a vista de um ponto é levada a sério de forma radical por
Protágoras. Então para ele as perspectivas diferentes aferem verdades
distintas. Bom, por grande responsabilidade de Platão e Sócrates, os sofistas
foram muito criticados por vender o conhecimento, ao cobrar em dinheiro pelas
aulas. Por outro lado, existem releituras que buscam valorizar as virtudes
destes pensadores. No caso de Protágoras, é reconhecido por defender um ensino
em que a educação permite excelência em todas virtudes políticas. Além da boa retórica,
o pensamento de Protágoras produz um relativismo das verdades e um ceticismo
epistemológico, quando afirma a impossibilidade de se manifestar sobre os deuses.
Para fazer sentido com a proposta que
abre esse texto, surgem os contrastes de Górgias de Leontini(485 – 380ª.C.),
considerado o inventor da retórica e autor de obras como Elogio a Helena, A
defesa de Palamede, Do não ser, ou da natureza. Seu pensamento contraria
Parmênides e a Escola Eleástica. Bom,
falar sobre o nihilismo epistêmico de Górgias requer um pouco de esforço e
imaginação. Em um primeiro momento ele afirma que nada existe. Mesmo que
existisse qualquer coisa, o homem não pode apreendê-la, não podemos formulá-la
nem comunica-la aos outros. Não existe o ser, assim como não existe o não ser e
menos ainda o ser e o não ser. Ele justifica que se o não ser existe, ele pode
existir ao pode não existir ao mesmo tempo. O que seria estranho. Por óbvio o
não ser não existe. Simples assim.
Para tratar do ser e a afirmação de
Górgias de que o ser não existe, temos que compreender que ele seria eterno ou
engendrado, ou as duas coisas. Se é eterno ele não foi gerado, se não foi gerado
não existe. Mas tudo que foi engendrado teve um começo, enquanto o que é eterno
não pode ser inventado, mesmo de maneira criativa, pois existiria desde sempre,
e seria, portanto, ilimitado, e o que é ilimitado não e encontra em nenhuma
parte: se está em um lugar, esse lugar é outro do que ele, estando abarcado por
outra coisa. Se assim for, não é ilimitado. Isso não faz sentido, pois se é
eterno é ilimitado; se é ilimitado, não está em parte alguma, se não está em
parte alguma, ele não existe. O ser não existe, pois não é eterno, nem
engendrado, nem os dois ao mesmo tempo. Essas são as bases para Górgias afirmar
que nada existe, e se existisse, seria não cognoscível ou mesmo não passível de
ser concebido pelos homens. E em um ataque direto a Parmênides e aos Eleatas,
Górgias afirma que não há a homologia entre pensar e ser, pois o ser não pode
ser objeto de pensamento.
Mas o conflito entre Physis e Nomos,
talvez, consiga trazer uma perspectiva do que foram os sofistas entre outros
pré-socráticos que integraram nossa narrativa. O tema da justiça entre physis
(Natureza) e Nomos (lei), sob o ponto de vista de três sofistas: Trasímaco,
Cálicles e Antifonte. O Transímaco sustentava que a justiça é o que convém ao
mais poderoso, pois são eles que legislam e fazem as leis. O Cálicles demarcava
em favor de physis ao afirmar que o direito positivado tem a função de usurpar
o que pertence, em função de sua superioridade evidente o direito fundado na
natureza, que tem, em si, a condição de impor, sem restrições, seus desejos.
Por aí ele conclui que a lei e a natureza se contradizem. O Antifonte, por um
lado defende as normas positivadas, mas faz menção a importância fundamental da
Physis, que impera se a pessoa está ausente de sua comunidade, sugerindo que a
justiça se justifica nas relações sociais, mas não na solidão, quando o homem
está só estará sob a lei da natureza. As demais resultam de acordo e constituem
o Nomos, as que são naturais dispensam acordos, pois são necessárias.
Essa perspectiva de filosofar sobre
as coisas do mundo natural são brutalmente modificadas a partir de Sócrates de
Atenas (470-69 – 399 A.C.). Ele traz a discussão do ser humano para dentro do
cosmos. Afirma que o conhecimento é interno, vem do interior da pessoa. Nesse
sentido tem uma máxima que afirma “conhece-te a ti mesmo”. O conhecimento se
desenvolve internamente, por meio das virtudes. E Sócrates ainda sustentava que
uma pessoa que possuía uma virtude tinha compreenderia a justiça, a temperança,
a coragem e a prudência, que constituem as quatro virtudes cardeais.
A moralidade de Sócrates valoriza o
conhecimento como uma virtude do bem. Ele não acredita que possa existir
conflito entre paixão e razão. Nesse sentido, que faz o bem é uma pessoa
esclarecida e sábia, que manifesta em suas ações o conhecimento. Quem age mal,
demonstra não ter compreendido algo, ter ignorado a verdade e quem faz isso
sistematicamente é um ignorante.
Sócrates não escreveu nada, tudo que
sabemos dele são relatos de seus discípulo, entre eles Platão. Seu conhecimento
era passado em diálogos que poderiam acontecer em qualquer lugar, com qualquer
pessoa. O filósofo desenvolveu um método dialético que consistia em afirmar que
sabe que nada sabe. A irônica frase servia como uma abertura de portas para que
seu interlocutor pudesse se envaidecer de seus conhecimentos e apresentar suas
ideias. Logo em seguida Sócrates destacava as imperfeições do pensamento em uma
lógica de refutação e valorizava as ideias que lhe faziam sentido. A conclusão
partia com a convicção de que o resultado do diálogo e o aprendizado havia
brotado de dentro dele mesmo e que Sócrates havia ajudado a encontrar. Sócrates
chamava esse método de Maieutica, um tipo de parto de ideias, que faz
referência a mãe do filósofo que era parteira. Ao consultar o Oráculo de
Delfos, Sócrates questionou quem é o homem mais sábio do mundo? A resposta
apontou para ele e a ironia está em o homem mais sábio do mundo afirmar que
nada sabe. No entanto, Sócrates foi condenado à morte por corromper jovens, não
acreditar nos costumes gregos e de unir-se a deusas malignos que gostam de
destruir as cidades. O que nos mostra que a ideia de justiça tem um longo
caminho percorrido e, pelo que podemos compreender hoje, ainda nos reserva um
longo caminho pela frente.
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