quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

INSTRUMENTOS MUSICAIS, UM MEIO PARA ENCANTAR O AMBIENTE

 Charles Scholl
O presente artigo tem por objetivo decantar as experiências obtidas em todas as etapas da produção do Plano de Aula que culminou em um seminário com a apresentação do respectivo plano. Participei do Grupo 10, do Polo Esteio, que teve como tema o Meio Ambiente. Após vencer os desafios pertinentes aos trabalhos em grupo composto por pessoas com vidas, horários e cotidianos distintos, selecionamos um tema específico que uniria música, arte, trabalhos manuais, ressignificação do termo lixo, teorias de sustentabilidade em torno de um novo olhar sobre o meio ambiente.
Nosso plano de aula tratou da reciclagem utilizando a música como fator motivador. O grupo dividiu a tarefa em capítulos e me coube apresentar o oitavo, que tratava da metodologia. No entanto, penso que é fundamental ingressar no desenvolvimento do tema proposto para que seja possível trazer às palavras algo mais próximo da real experiência decorrente desta tarefa acadêmica.
Em que contexto podemos compreender a ideia de meio ambiente atualmente? Responder a essa questão foi meu primeiro passo, já que as literaturas presentes nos temas transversais poderiam ser consideradas superficiais diante da abordagem escolhida pelo grupo. Os conteúdos presentes na cartilha Parâmetros Curriculares Nacionais – Meio Ambiente, disponibilizada pelo portal do Ministério da Educação, justificam a importância do tema e os desafios de trata-los em sala de aula. Neste espaço se ancora a grande tarefa de mudar hábitos por meio da transmissão de conhecimentos e vivências, que venham a contribuir para uma nova geração de pessoas conscientes de suas responsabilidades com o meio ambiente.
Aferir um processo educativo com pretensões de mudança comportamental seduziu-me a extrapolar para outras literaturas. Em virtude da atual formação acadêmica, a opção pela filosofia foi irresistível, principalmente com as liberdades pertinentes a calouros em seu primeiro semestre. A ecosofia, um neologismo criado por Félix Guattari, autor da obra As Três Ecologias, me pareceu a melhor abordagem teórica para dar conta dos desafios. Já que para intervir em padrões comportamentais consolidados é preciso desconstruir e ressignificar valores em todas as relações da intervenção humana. A obra “As três ecologias” sugere, em síntese, uma forma de organizar nossa relação com o meio ambiente pela perspectiva do comportamento. Ela parte da relação ecológica que o ser tem com seu ambiente mental e sugere uma revisão sobre os hábitos pessoais. Em um segundo momento o ambiente social em que essa pessoa está inserida também é objeto de análise e revisões de hábitos sociais. A terceira ecologia é a relação deste ser com o meio ambiente que vive. Desta fase é que surge a ideia da sustentabilidade. Com isso, resolvemos a questão dos conteúdos, como podem ser organizados e o princípio da ideia de ressignificação do conceito de lixo, ao utilizar materiais que normalmente são descartados e transforma-los em brinquedos sonoros, ou instrumentos musicais.
Além do conteúdo programático ofertado por Félix Gattarri, a ideia de utilizar a música favorece o desenvolvimento cognitivo, como afirma a professora doutora Elvira Sousa Lima: “Há evidências de que a apropriação da sintaxe musical tem impacto positivo na sintaxe linguística e em outros domínios da cognição” (LIMA, Elvira. Cérebro Musical. Revista Presença Pedagógica, São Paulo, edição nº95, setembro/outubro 2010).
Desde Emilio, ou da Educação, de Jean-Jacques Rousseau, podemos compreender com mais clareza a moderna pedagogia. Trata-se do pressuposto de que a aula a ser dada deve, por princípio, ser agradável e interessante ao estudante. A educação não deve ser algo odioso ou um castigo, como ocorriam com os educadores jesuítas muito criticados por Rousseau. Esses conteúdos seriam suficientes para embasar o Plano de Aula em questão, além de constituir a etapa mais educativa deste trabalho em grupo.
Referências:
GUATTARI, Felix. As três ecologias. 20ª ed. Trad. Maria Cristina F. Bittencourt. Campinas: Papirus, 2009, 56p.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio, ou da educação. 1ª ed. Trad. Laurent de Saes. São Paulo: Edipro, 2017, 560p.
Ministério da Educação (MEC). Secretaria de Educação Fundamental (SEF). Parâmetros Curriculares Nacionais: apresentação dos temas transversais, Meio Ambiente. Brasília, DF: MEC/SEF, 1997b.

LIMA, Elvira. Cérebro Musical. Revista Presença Pedagógica, São Paulo, edição nº95, setembro/outubro 2010. 

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

O Galinhão!!! Uma história de Natal....

Na virada com minha mãe, meu irmão e o Alex
Essa fotonovela é o registro deste Natal de 2017, que começou com a virada que passei com minha mãe, meu irmão e o Alex, que topou assar o churrasco. Tinha concluído as últimas publicações nas redes sociais que administro e saí do Vitória Régia, condomínio popular onde moro, para o condomínio ao lado, Morada de Esteio I, outro condomínio popular onde minha mãe mora com meu irmão. Ao final da janta nosso protagonista principal entra em cena, chamado pela minha mãe de chester.
Ela relatava que faria o chester na panela, meu irmão contestava dizendo que devia fazer no espeto com papel alumínio e diante do impasse ninguém fez o chester. Na hora de ir para casa eu me ofereci para assar o chester, que até aquele momento não tinha a menor ideia do que se tratava. Eu via chester escrito nas propagandas e sendo pronunciado por muitas pessoas, mas nunca tinha visto um chester vivo. Seria o que isso? Decidi perguntar. As respostas abriram um leque tão diverso que poderia enquadrar o chester até como um anfíbio, mamífero, que daria inveja as aptidões adaptativas do ornitorrinco.
Eis que me largaram uma sacola plástica com o chester dentro e o levei naquela noite para minha casa. Ele chegou e fez uma bagunça na geladeira. Escorreu um líquido amarelado com sangue que se espalhou por tudo. Percebi só pela manhã de Natal. Ao acordar pensei em assar o chester, mas não tinha ideia de como fazer isso. Primeiro queria conhecer o chester, abrir o pacote e quem sabe ter que tirar seu rabo, escamas, ou penas. Ao abrir percebi que conhecia chester, então fui ler a embalagem. Era um Fiesta Sadia, ou seja, um galinhão. Isso eu sei fazer.
Iniciei a tarefa pela manhã, besuntei e achei uma forma criativa de prender as coxas. Depois foi para o papel alumínio e forno por uma hora e meia em 200 graus. Depois desliguei e saí em busca da Ingrid. Logo retornamos para casa e reassumi a tarefa de assar o galinhão. Ele já estava cozido, mas precisava dar aquela douradinha. Quando ficou pronto postei uma foto e mostrei para minha mãe o feito e ela me pediu para levar em sua casa.

Eu e a Ingrid fomos levar o galinhão já pronto, assado, dourado e com um aroma de deixar água na boca. Logo que chegamos na casa da minha mãe foi uma emoção só. Agora não falo do galinhão, mas da minha filha e ela que não se viam por mais de cinco anos. Viva o galinhão e um feliz natal para todos e todas.













domingo, 17 de dezembro de 2017

Origem. De onde vem a motivação?

A ideia da origem motivacional da filosofia é algo que pode remontar uma prática de pensar o pensamento, o que leva a pessoa a tomar tais posturas e o que de fato emana das profundezas da alma humana. Por apreço pessoal, abordo as motivações presentes e manifestas nos filósofos Platão e Aristóteles. Seu modo de pensar clássico, que valoriza a admiração, permite melhor compreensão sobre o tema, tendo em vista a complexidade que se agrega em torno dos filósofos seguintes, como Epicuro e Augostinho, que compreendem a busca da felicidade como força motriz para a filosofia. Ou, Descartes, que compreende a dúvida sistemática como a origem motivacional, até mesmo Karl Jaspers que agrega a experiência dos limites e o amor tornando algo ainda mais complexo.

Para Platão a origem motivacional da filosofia está na capacidade que a pessoa tem de se admirar com a existência. Pois para que a pessoa possa se admirar com algo é preciso a humildade de reconhecer que não sabe e alguma motivação que lhe arranca da ignorância e lhe leva em busca do saber. Então, suas origens motivacionais apontam que o filósofo está entre os sábios e ignorantes. Os sábios já não se admiram diante de seu conhecimento. Os ignorantes também não se admiram por nada saber. A escolha do filósofo é permanecer no meio destes dois extremos, já que o filósofo não se cansa de admirar e isso lhe motiva a pensar. Como lembra Aristóteles, quem experimenta a dúvida e a admiração reconhece que não sabe.

Já pensou suas origens motivacionais? Lhe dou um motivo para isso, conhece-te a ti mesmo, diria Sócrates. 

sábado, 16 de dezembro de 2017

De Tales a Platão, um suspiro sobre o pensamento no mundo antigo


Já nas primeiras notícias que temos sobre a vida humana em comunidade estão presentes questionamentos sobre as coisas do mundo e o nosso lugar nele. Nos primórdios, as respostas se davam por preceitos religiosos, ações dos deuses que eram informadas por lendas, entre outras formas de transmissão de conhecimento pela imitação. As histórias míticas tinham que dar conta das respostas para toda a estrutura que resulta do processo de constituição da civilização humana. O mito tinha papel fundamental na transmissão de saberes, já que uma de suas características é a certeza do fato e uma ideia absoluta sobre as coisas. Mitos são inquestionáveis, pois são a verdade posta aos mortais. Mas, por volta do ano 600 A. C. uma nova forma de se portar com o mundo emergia. Mais precisamente em 624 A.C. nascia em Mileto o filósofo Tales, que ao longo de sua vida se insurgiu as formas míticas de se relacionar com o mundo e optou pela razão. Por conta dessa mudança Tale de Mileto é considerado o primeiro filósofo, aquele que inaugura o princípio da filosofia.
A utilização da razão para investigar a natureza e as coisas do universo, presente no pensamento de Tales de Mileto nos coloca sobre outras perspectivas. Uma delas é que a mitologia valoriza as respostas decoradas e passadas de geração para geração em que os conceitos são subjetivos e imutáveis. Já a filosofia valoriza o questionamento acerca das coisas mais do que as próprias respostas. Ao longo de sua vida, Tales utilizou a razão para investigar as coisas do universo e animou muitas outras pessoas a fazerem o mesmo.
Para Tales de Milteto a matéria prima do cosmos é a água. Suas deduções resultam da ideia que da água tudo pode ser formado, é essencial à vida, capaz de se mover e é capaz de mudar. Já para seu discípulo Anaximandro (610/ 547 A.C.), afirmava que o princípio de todas as coisas é o Ápeiron, algo que pode ser compreendido hoje como ilimitado. Esse Ápeiron constitui a base de uma massa infinita que forma o cosmos e todas as coisas. Esse pensamento foi novamente questionado pelo seu sucessor Anaxímenes (588 / 524 A.C.), que acreditava que a origem de todas as coisas era o ar e dele se formavam todos os elementos do universo. Outro filósofo deste período pré-socrático, também da Escola de Milteto é Pitágoras (570 / 495 A.C.). Para Pitágoras o número é o regente das formas e ideias. Esses filósofos Milesianos explicam a natureza das coisas a partir de um elemento, no entanto os seguidores de Pitágoras buscavam a partir dos números explicar todas as coisas. Para Pitágoras o destino controla o todo e a parte.
Logo em seguida temos Heráclito de Éfaso(535-475 A.C.) e Parmênedes(515-445 A.C.), da Escola Eleática. Heráclito manifesta de forma óbvia seu debruçar sobre os aspectos intuitivos, valorizando as relações sensitivas. Heráclito valorizava percepção humana sobre o mundo, por seus sentidos naturais. A tese sustentada por Heráclito fala de um mundo em constante transformação e movimento. As consequências deste pensamento coloca seu protagonista, Heráclito, em franco confronto com a Escola Eleática, que muitas vezes fundamenta seus pontos de vista tomando os preceitos filosóficos sustentados por Heráclito como referência, com objetivo claro de contrapor e desconstituir os argumentos de sustentação de suas ideias. O pensamento de Heráclito ficou conhecido pela frase “ninguém se banha duas vezes no mesmo rio”. Por essas perspectivas se colocava contrário aos filósofos da Escola de Mileto, que defendiam as coisas pela sua essência, algo que se perdia com a ideia de movimento de Heráclito. Para ele tudo está em constante movimento e mudança, em permanente estado de fluxo. Ao tempo que Parmênides debruçava força na razão, que os sentidos do corpo humano nos enganam e pela razão encontramos a verdade. A partir da premissa de que algo existe, no caso o “Ser”, Parmêndes concluiu que esse algo não poderia também não existir, no caso o “Não Ser”. Muito influenciado pela lógica de Pitágoras, Parmênides deduz que é impossível existir o vazio. Assim, o algo não pode surgir do nada, pois sempre existiu alguma coisa, de alguma forma. Uma visão estática que afirma que existe algo de permanente, portando com ausência de movimento. Uma clássica relação de antagonismo entre o movimento de Heráclito e a estática de Parmênides.  Para Zenão de Eleia, discípulo de Parmênides, a ideia de percurso é uma ilusão. Cita como exemplo uma linha imaginária de movimento entre o ponto A e B. No entanto, Zenão afirma que existe um meio termo entre A e B. Este meio intervalo, por sua vez, possui também um meio intervalo e assim sucessivamente até o infinito. Essa é uma das formas como Zenão afirma a impossibilidade da existência do movimento. Essa ideia de movimento que percebemos é uma mentira produzida pelos nossos sentidos que nos enganam. A verdade só é possível de ser percebida pela razão, que pode lhe mostrar o que não muda.
Os físicos posteriores acabam estudando as ideias contrapostas de Heráclito e Parmênides e nos seu conjunto inauguram o atomismo, que teoriza que a natureza se constitui de dois princípios fundamentais o átomo e o vazio. Nesse movimento temos Empédocles de Agrigento (490 – 430 A.C.), que afirma que o fogo, a terra, a água e o ar não mudam, por serem a base da existência. O que provoca mudanças são outros dois elementos. O amor, que provoca a união e a criação das coisas e a discórdia que desune e desfaz. Anaxágoras de Clazômenas (500 – 428 A.C) sustenta que todas as coisas estavam estáticas até que a inteligência as ordenou e criou todas as coisas. Nesse sentido ele sustenta que as Homeomerias estão presentes em todos os corpos e assim permanecem apesar das mudanças. Permanecem apenas as coisas elementares como o ouro, o fogo, a terra, o ar. O movimento se dá pela agregação e desagregação das Homeomerias. E o período é coroado com Demócrito de Abdera (460 – 370 A.C.), que sustenta que todas as coisas são formadas de minúsculas partículas invisíveis e indivisíveis as quais denominou de átomo. Para Demócrito o átomo só é possível de ser compreendido pela inteligência. Ele distinguia o conhecimento em dois grupos: o inteligível, único que possui legitimidade por saber que tudo é constituído de átomos e vazio; e o sensível, que carece de credibilidade e validade no que tangem ao conhecimento da verdade.
Um dos discípulos de Demócrito foi Protágoras de Abdera (498 – 421 A.C), um dos fundadores da escola sofística. Ao afirmar que “o homem é a medida de todas as coisa, das que são pelo que são, das que não são pelo que são”, Protágoras demonstra seu ponto de vista antropocentrista. Essa abordagem produz um relativismo do conhecimento, na medida que cada pessoa o possuiria por suas perspectivas. É a ideia de que cada ponto de vista é a vista de um ponto é levada a sério de forma radical por Protágoras. Então para ele as perspectivas diferentes aferem verdades distintas. Bom, por grande responsabilidade de Platão e Sócrates, os sofistas foram muito criticados por vender o conhecimento, ao cobrar em dinheiro pelas aulas. Por outro lado, existem releituras que buscam valorizar as virtudes destes pensadores. No caso de Protágoras, é reconhecido por defender um ensino em que a educação permite excelência em todas virtudes políticas. Além da boa retórica, o pensamento de Protágoras produz um relativismo das verdades e um ceticismo epistemológico, quando afirma a impossibilidade de se manifestar sobre os deuses.
Já Górgias de Leontini(485 – 380ª.C.), considerado o inventor da retórica e autor de obras como Elogio a Helena, A defesa de Palamede, Do não ser, ou da natureza. Seu pensamento contraria Parmênides e a Escola Eleástica.  Bom, falar sobre o nihilismo epistêmico de Górgias requer um pouco de esforço e imaginação. Em um primeiro momento ele afirma que nada existe. Mesmo que existisse qualquer coisa, o homem não pode apreendê-la, não podemos formulá-la nem comunica-la aos outros. Não existe o ser, assim como não existe o não ser e menos ainda o ser e o não ser. Ele justifica que se o não ser existe, ele pode existir ou pode não existir ao mesmo tempo. O que seria estranho. Por óbvio o não ser não existe. Simples assim.
Para tratar do ser e a afirmação de Górgias de que o ser não existe, temos que compreender que ele seria eterno ou engendrado, ou as duas coisas. Se é eterno ele não foi gerado, se não foi gerado não existe. Mas tudo que foi engendrado teve um começo, enquanto o que é eterno não pode ser inventado, mesmo de maneira criativa, pois existiria desde sempre, e seria, portanto, ilimitado, e o que é ilimitado não e encontra em nenhuma parte: se está em um lugar, esse lugar é outro do que ele, estando abarcado por outra coisa. Se assim for, não é ilimitado. Isso não faz sentido, pois se é eterno é ilimitado; se é ilimitado, não está em parte alguma, se não está em parte alguma, ele não existe. O ser não existe, pois não é eterno, nem engendrado, nem os dois ao mesmo tempo. Essas são as bases para Górgias afirmar que nada existe, e se existisse, seria não cognoscível ou mesmo não passível de ser concebido pelos homens. E em um ataque direto a Parmênides e aos Eleatas, Górgias afirma que não há a homologia entre pensar e ser, pois o ser não pode ser objeto de pensamento.
Mas o conflito entre Physis e Nomos, talvez, consiga trazer uma perspectiva do que foram os sofistas. O tema da justiça entre Physis (Natureza) e Nomos (lei), sob o ponto de vista de três sofistas: Trasímaco, Cálicles e Antifonte. O Transímaco sustentava que a justiça é o que convém ao mais poderoso, pois são eles que legislam e fazem as leis. O Cálicles demarcava em favor de Physis ao afirmar que o direito positivado tem a função de usurpar o que pertence, em função de sua superioridade evidente o direito fundado na natureza, que tem, em si, a condição de impor, sem restrições, seus desejos. Por aí ele conclui que a lei e a natureza se contradizem. O Antifonte, por um lado defende as normas positivadas, mas faz menção a importância fundamental da Physis, que impera se a pessoa está ausente de sua comunidade, sugerindo que a justiça se justifica nas relações sociais, mas não na solidão, quando o homem está só estará sob a lei da natureza. As demais resultam de acordo e constituem o Nomos, as que são naturais dispensam acordos, pois são necessárias.  
Essa perspectiva de filosofar sobre as coisas do mundo natural são brutalmente modificadas a partir de Sócrates de Atenas (470-69 – 399 A.C.). Ele traz a discussão do ser humano para o centro do cosmos. Afirma que o conhecimento é interno, vem do interior da pessoa. Nesse sentido tem uma máxima que afirma “conhece-te a ti mesmo”. O conhecimento se desenvolve internamente, por meio das virtudes. E Sócrates ainda sustentava que uma pessoa que possuía uma virtude compreenderia a justiça, a temperança, a coragem e a prudência, que constituem as quatro virtudes cardeais.
A moralidade de Sócrates valoriza o conhecimento como uma virtude do bem. Ele não acredita que possa existir conflito entre paixão e razão. Nesse sentido, que faz o bem é uma pessoa esclarecida e sábia, que manifesta em suas ações o conhecimento. Quem age mal, demonstra não ter compreendido algo, ter ignorado a verdade e quem faz isso sistematicamente é um ignorante.
Sócrates não escreveu nada, tudo que sabemos dele são relatos de seus discípulo, entre eles Platão. Seu conhecimento era passado em diálogos que poderiam acontecer em qualquer lugar, com qualquer pessoa. O filósofo desenvolveu um método dialético que consistia em afirmar que sabe que nada sabe. A irônica frase servia como uma abertura de portas para que seu interlocutor pudesse se envaidecer de seus conhecimentos e apresentar suas ideias. Logo em seguida Sócrates destacava as imperfeições do pensamento em uma lógica de refutação e valorizava as ideias que lhe faziam sentido. A conclusão partia com a convicção de que o resultado do diálogo e o aprendizado havia brotado de dentro dele mesmo e que Sócrates havia ajudado a encontrar. Sócrates chamava esse método de Maieutica, um tipo de parto de ideias, que faz referência a mãe do filósofo que era parteira. Ao consultar o Oráculo de Delfos, Sócrates questionou quem é o homem mais sábio do mundo? A resposta apontou para ele e a ironia está em o homem mais sábio do mundo afirmar que nada sabe. No entanto, Sócrates foi condenado à morte por corromper jovens, não acreditar nos costumes gregos e de unir-se a deusas malignos que gostam de destruir as cidades.

Com a morte de Sócrates, seu discípulo Platão (472 / 347 A.C.) tomou para si a tarefa de redigir o conhecimento que tinha aprendido com seu mestre. A primeira obra foi Apologia, que se constitui de um relato da defesa de Sócrates em seu julgamento. Platão, assim como Sócrates, procura buscar definições de valores morais abstratos, como justiça ou virtude. Também, em seus trabalhos busca demarcar sua contrariedade as ideias de Protágoras e o seu relativismo. Com o objetivo de explicar seu mundo de formas e ideias perfeitas, Platão usa a teoria do mito da caverna, na qual o conhecimento sobre o mundo é limitado a sombras da realidade. A compreensão do conhecimento para Platão passa pela alegoria do sol em que temos o mundo visível e o mundo inteligível. O que representa o sol no mundo visível, é a ideia do bem no mundo inteligível. O que é a luz no mundo sensível; representa a verdade no mundo inteligível. O são objetos da visão, tais como as cores, no mundo visível; são objetos do conhecimento no mundo inteligível, tais como as ideias. Os níveis de conhecimento para Platão são apresentados na Alegoria da Linha, que também faz a distinção entre o mundo visível e o mundo inteligível. O mundo inteligível é regido pela EPISTEME, que pode ser compreendida como ciência, acompanhado da NOESES, que representa a intelecção e DIANOIA, que representa a abstração. Já o mundo sensível é regido pela DOXA, compreendida como opinião; que vem acompanhada da PISTIS, que faz referência às crenças e EIKASIA, que significa imaginação. O mito da caverna apresenta essas ideias e valores a partir da história das pessoas que passam a vida a observar sombras da realidade. Algumas dessas pessoas, num repente, despertaram ao ponto de virarem-se em direção a luz, passando pela fogueira e indo até a abertura da caverna onde vê pela primeira vez a luz do sol e todas as coisas como realmente são. Ao contemplar a imagem da verdade a pessoa decide retornar à caverna para alertar os demais sobre essa realidade, no entanto não é compreendido. Com isso Platão apresenta o papel do filósofo na sociedade, assim como uma estrutura filosófica de pensamento que permeia nossos costumes, muito presentes em nossa Nomos até os dias de hoje. 

Filosofia sofística e a de Sócrates


A filosofia sofística e Sócrates protagonizaram alguns dos principais pensamentos da idade antiga. Como os demais pré-socráticos, os sofistas se dedicavam a filosofar sobre as coisas da natureza em um esforço de compreender do que são feitas as coisa e se elas de fato foram feitas ou sempre existiram. Já Sócrates remete o foco da filosofia para as questões da pessoa humana ao acreditar que o conhecimento está no interior de cada um, algo que fica evidente em sua célebre frase “conhece-te a ti mesmo”.  No entanto, para avançar um pouco mais é preciso compreender alguns sofistas, seus pensamentos e algumas reflexões sobre a Physis e Nomos e os contrastes que podemos perceber com a mudança de foco da filosofia promovida por Sócrates.  
Iniciamos por Protágoras de Abdera (498 – 421 A.C), o cara da desconstrução. Ao afirmar que “o homem é a medida de todas as coisa, das que são pelo que são, das que não são pelo que são”, Protágoras demonstra seu ponto de vista antropocentrista. Essa abordagem produz um relativismo do conhecimento, na medida que cada pessoa o possuiria por suas perspectivas. É a ideia de que cada ponto de vista é a vista de um ponto é levada a sério de forma radical por Protágoras. Então para ele as perspectivas diferentes aferem verdades distintas. Bom, por grande responsabilidade de Platão e Sócrates, os sofistas foram muito criticados por vender o conhecimento, ao cobrar em dinheiro pelas aulas. Por outro lado, existem releituras que buscam valorizar as virtudes destes pensadores. No caso de Protágoras, é reconhecido por defender um ensino em que a educação permite excelência em todas virtudes políticas. Além da boa retórica, o pensamento de Protágoras produz um relativismo das verdades e um ceticismo epistemológico, quando afirma a impossibilidade de se manifestar sobre os deuses.
Já Górgias de Leontini(485 – 380ª.C.), considerado o inventor da retórica e autor de obras como Elogio a Helena, A defesa de Palamede, Do não ser, ou da natureza. Seu pensamento contraria Parmênides e a Escola Eleástica.  Bom, falar sobre o nihilismo epistêmico de Górgias requer um pouco de esforço e imaginação. Em um primeiro momento ele afirma que nada existe. Mesmo que existisse qualquer coisa, o homem não pode apreendê-la, não podemos formulá-la nem comunica-la aos outros. Não existe o ser, assim como não existe o não ser e menos ainda o ser e o não ser. Ele justifica que se o não ser existe, ele pode existir ao pode não existir ao mesmo tempo. O que seria estranho. Por óbvio o não ser não existe. Simples assim.
Mas o conflito entre Physis e Nomos, talvez, consiga trazer uma perspectiva do que foram os sofistas. O tema da justiça entre physis (Natureza) e Nomos (lei), sob o ponto de vista de três sofistas: Trasímaco, Cálicles e Antifonte. O Transímaco sustentava que a justiça é o que convém ao mais poderoso, pois são eles que legislam e fazem as leis. O Cálicles demarcava em favor de physis ao afirmar que o direito positivado tem a função de usurpar o que pertence, em função de sua superioridade evidente o direito fundado na natureza, que tem, em si, a condição de impor, sem restrições, seus desejos. Por aí ele conclui que a lei e a natureza se contradizem. O Antifonte, por um lado defende as normas positivadas, mas faz menção a importância fundamental da Physis, que impera se a pessoa está ausente de sua comunidade, sugerindo que a justiça se justifica nas relações sociais, mas não na solidão, quando o homem está só estará sob a lei da natureza. As demais resultam de acordo e constituem o Nomos, as que são naturais dispensam acordos, pois são necessárias.  
Essa perspectiva de filosofar sobre as coisas do mundo natural são brutalmente modificadas a partir de Sócrates de Atenas (470-69 – 399 A.C.). Ele traz a discussão do ser humano para dentro do cosmos. Afirma que o conhecimento é interno, vem do interior da pessoa. Nesse sentido tem uma máxima que afirma “conhece-te a ti mesmo”. O conhecimento se desenvolve internamente, por meio das virtudes. E Sócrates ainda sustentava que uma pessoa que possuía uma virtude tinha compreenderia a justiça, a temperança, a coragem e a prudência, que constituem as quatro virtudes cardeais.
A moralidade de Sócrates valoriza o conhecimento como uma virtude do bem. Ele não acredita que possa existir conflito entre paixão e razão. Nesse sentido, que faz o bem é uma pessoa esclarecida e sábia, que manifesta em suas ações o conhecimento. Quem age mal, demonstra não ter compreendido algo, ter ignorado a verdade e quem faz isso sistematicamente é um ignorante. O filósofo desenvolveu um método dialético que consistia em afirmar que sabe que nada sabe. A irônica frase servia como uma abertura de portas para que seu interlocutor pudesse se envaidecer de seus conhecimentos e apresentar suas ideias. Logo em seguida Sócrates destacava as imperfeições do pensamento em uma lógica de refutação e valorizava as ideias que lhe faziam sentido. A conclusão partia com a convicção de que o resultado do diálogo e o aprendizado havia brotado de dentro dele mesmo e que Sócrates havia ajudado a encontrar. Sócrates chamava esse método de Maieutica, um tipo de parto de ideias, que faz referência a mãe do filósofo que era parteira.


Heráclito e Parmênides, a relação

Para compreender o período dos sofistas e de Sócrates, com alguma profundidade, é importante conhecer o pensamento de Heráclito de Éfaso(535-475 A.C.) e Parmênedes(515-445 A.C.), da Escola Eleática. Heráclito manifesta de forma óbvia seu debruçar sobre os aspectos intuitivos, valorizando as relações sensitivas do homem observador da natureza. Heráclito valorizava percepção humana sobre o mundo, por seus sentidos naturais. A tese sustentada por Heráclito fala de um mundo em constante transformação e movimento. As consequências deste pensamento coloca Heráclito em franco confronto com a Escola Eleática, que muitas vezes fundamenta seus pontos de vista tomando os preceitos filosóficos sustentados por Heráclito como referência, com objetivo claro de contrapor e desconstituir os argumentos de sustentação de suas perspectivas e ideias sobre a natureza das coisas do mundo.  Seguindo por esse caminho, por essa perspectiva, tomaremos uma evidente rota de colisão com Parmênides. No encontro de ideias, eis a relação. Claro, uma relação de contraste de ideias, mas ainda uma relação.
O pensamento de Heráclito ficou conhecido pela frase “ninguém se banha duas vezes no mesmo rio”. Por essas perspectivas se colocava contrário aos filósofos da Escola de Mileto, que defendiam as coisas pela sua essência, algo que se perdia com a ideia de movimento de Heráclito. Para ele tudo está em constante movimento e mudança, em permanente estado de fluxo. Ao tempo que Parmênides debruçava força na razão, que os sentidos do corpo humano nos enganam e pela razão encontramos a verdade. A partir da premissa de que algo existe, no caso o “Ser”, Parmêndes concluiu que esse algo não poderia também não existir, no caso o “Não Ser”. Muito influenciado pela lógica de Pitágoras, Parmênides deduz que é impossível existir o vazio. Assim, o algo não pode surgir do nada, pois sempre existiu alguma coisa, de alguma forma. Uma visão estática que afirma que existe algo de permanente, portando com ausência de movimento. Uma clássica relação de antagonismo entre o movimento de Heráclito e a estática de Parmênides.  
Para ingressar na proposta da tarefa, iniciamos a apresentação dos sofistas por Protágoras de Abdera (498 – 421 A.C), o cara da desconstrução. Ao afirmar que “o homem é a medida de todas as coisa, das que são pelo que são, das que não são pelo que são”, Protágoras demonstra seu ponto de vista antropocentrista. Essa abordagem produz um relativismo do conhecimento, na medida que cada pessoa o possuiria por suas perspectivas. É a ideia de que cada ponto de vista é a vista de um ponto é levada a sério de forma radical por Protágoras. Então para ele as perspectivas diferentes aferem verdades distintas. Bom, por grande responsabilidade de Platão e Sócrates, os sofistas foram muito criticados por vender o conhecimento, ao cobrar em dinheiro pelas aulas. Por outro lado, existem releituras que buscam valorizar as virtudes destes pensadores. No caso de Protágoras, é reconhecido por defender um ensino em que a educação permite excelência em todas virtudes políticas. Além da boa retórica, o pensamento de Protágoras produz um relativismo das verdades e um ceticismo epistemológico, quando afirma a impossibilidade de se manifestar sobre os deuses.
Para fazer sentido com a proposta que abre esse texto, surgem os contrastes de Górgias de Leontini(485 – 380ª.C.), considerado o inventor da retórica e autor de obras como Elogio a Helena, A defesa de Palamede, Do não ser, ou da natureza. Seu pensamento contraria Parmênides e a Escola Eleástica.  Bom, falar sobre o nihilismo epistêmico de Górgias requer um pouco de esforço e imaginação. Em um primeiro momento ele afirma que nada existe. Mesmo que existisse qualquer coisa, o homem não pode apreendê-la, não podemos formulá-la nem comunica-la aos outros. Não existe o ser, assim como não existe o não ser e menos ainda o ser e o não ser. Ele justifica que se o não ser existe, ele pode existir ao pode não existir ao mesmo tempo. O que seria estranho. Por óbvio o não ser não existe. Simples assim.
Para tratar do ser e a afirmação de Górgias de que o ser não existe, temos que compreender que ele seria eterno ou engendrado, ou as duas coisas. Se é eterno ele não foi gerado, se não foi gerado não existe. Mas tudo que foi engendrado teve um começo, enquanto o que é eterno não pode ser inventado, mesmo de maneira criativa, pois existiria desde sempre, e seria, portanto, ilimitado, e o que é ilimitado não e encontra em nenhuma parte: se está em um lugar, esse lugar é outro do que ele, estando abarcado por outra coisa. Se assim for, não é ilimitado. Isso não faz sentido, pois se é eterno é ilimitado; se é ilimitado, não está em parte alguma, se não está em parte alguma, ele não existe. O ser não existe, pois não é eterno, nem engendrado, nem os dois ao mesmo tempo. Essas são as bases para Górgias afirmar que nada existe, e se existisse, seria não cognoscível ou mesmo não passível de ser concebido pelos homens. E em um ataque direto a Parmênides e aos Eleatas, Górgias afirma que não há a homologia entre pensar e ser, pois o ser não pode ser objeto de pensamento.
Mas o conflito entre Physis e Nomos, talvez, consiga trazer uma perspectiva do que foram os sofistas entre outros pré-socráticos que integraram nossa narrativa. O tema da justiça entre physis (Natureza) e Nomos (lei), sob o ponto de vista de três sofistas: Trasímaco, Cálicles e Antifonte. O Transímaco sustentava que a justiça é o que convém ao mais poderoso, pois são eles que legislam e fazem as leis. O Cálicles demarcava em favor de physis ao afirmar que o direito positivado tem a função de usurpar o que pertence, em função de sua superioridade evidente o direito fundado na natureza, que tem, em si, a condição de impor, sem restrições, seus desejos. Por aí ele conclui que a lei e a natureza se contradizem. O Antifonte, por um lado defende as normas positivadas, mas faz menção a importância fundamental da Physis, que impera se a pessoa está ausente de sua comunidade, sugerindo que a justiça se justifica nas relações sociais, mas não na solidão, quando o homem está só estará sob a lei da natureza. As demais resultam de acordo e constituem o Nomos, as que são naturais dispensam acordos, pois são necessárias.  
Essa perspectiva de filosofar sobre as coisas do mundo natural são brutalmente modificadas a partir de Sócrates de Atenas (470-69 – 399 A.C.). Ele traz a discussão do ser humano para dentro do cosmos. Afirma que o conhecimento é interno, vem do interior da pessoa. Nesse sentido tem uma máxima que afirma “conhece-te a ti mesmo”. O conhecimento se desenvolve internamente, por meio das virtudes. E Sócrates ainda sustentava que uma pessoa que possuía uma virtude tinha compreenderia a justiça, a temperança, a coragem e a prudência, que constituem as quatro virtudes cardeais.
A moralidade de Sócrates valoriza o conhecimento como uma virtude do bem. Ele não acredita que possa existir conflito entre paixão e razão. Nesse sentido, que faz o bem é uma pessoa esclarecida e sábia, que manifesta em suas ações o conhecimento. Quem age mal, demonstra não ter compreendido algo, ter ignorado a verdade e quem faz isso sistematicamente é um ignorante.

Sócrates não escreveu nada, tudo que sabemos dele são relatos de seus discípulo, entre eles Platão. Seu conhecimento era passado em diálogos que poderiam acontecer em qualquer lugar, com qualquer pessoa. O filósofo desenvolveu um método dialético que consistia em afirmar que sabe que nada sabe. A irônica frase servia como uma abertura de portas para que seu interlocutor pudesse se envaidecer de seus conhecimentos e apresentar suas ideias. Logo em seguida Sócrates destacava as imperfeições do pensamento em uma lógica de refutação e valorizava as ideias que lhe faziam sentido. A conclusão partia com a convicção de que o resultado do diálogo e o aprendizado havia brotado de dentro dele mesmo e que Sócrates havia ajudado a encontrar. Sócrates chamava esse método de Maieutica, um tipo de parto de ideias, que faz referência a mãe do filósofo que era parteira. Ao consultar o Oráculo de Delfos, Sócrates questionou quem é o homem mais sábio do mundo? A resposta apontou para ele e a ironia está em o homem mais sábio do mundo afirmar que nada sabe. No entanto, Sócrates foi condenado à morte por corromper jovens, não acreditar nos costumes gregos e de unir-se a deusas malignos que gostam de destruir as cidades. O que nos mostra que a ideia de justiça tem um longo caminho percorrido e, pelo que podemos compreender hoje, ainda nos reserva um longo caminho pela frente.